Protestos de rua contra o governo perdem força. Mas o descontentamento aumenta. Pesquisa do Datafolha diz que 63% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma.

Manifestantes na Av. Paulista, centro de São Paulo.

Manifestantes na Av. Paulista, centro de São Paulo.

Centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas para protestar contra o governo. O número de manifestantes neste domingo (12 mar) foi bem menor, talvez a metade dos que se reuniram em 15 de março. A maior concentração, como sempre, foi na Avenida Paulista, centro da oposição e da rejeição ao PT. A diminuição da quantidade de gente nas ruas, no entanto, não dá nenhum refresco para o governo de Dilma Rousseff. Ao contrário, o descontentamento aumentou muito.

Uma nova pesquisa do Datafolha revela que a maioria dos brasileiros está profundamente descontente (63%) e deseja o impeachment da presidente. O impedimento não tem base legal, tanto que a maioria dos que se dizem favoráveis à medida (cerca de dois terços) não acreditam que isso vá acontecer. Mas o fato é que o governo amarga a pior rejeição dos últimos 20 anos, arrastando o PT para o fundo do poço.

Protesto de 15 de março em Brasília.

Protesto de 15 de março em Brasília.

O governo Dilma errou feio. Podia ter iniciado o ajuste econômico em 2012, quando os sinais da crise já eram visíveis. No cenário político, foi duramente atingido com os escândalos de corrupção e por continuar loteando o poder com aliados instáveis e mercantilistas. No Brasil, o presidente é refém do Congresso e, por isso, precisa fazer todo tipo de acordo para poder governar. E a gente sabe aonde isso conduz. Para resolver a questão seria necessária uma reforma política capaz de melhorar o padrão dos parlamentares. Ou seja: um círculo vicioso, porque o Congresso legisla em causa própria e não prova nada que contrarie os seus interesses.

Para conquistar alguma estabilidade, o governo entregou o comando político ao PMDB e a direção econômica a um banqueiro. Perde identidade própria e está paralisado. A crise da Petrobras ameaça um milhão de empregos no país. Não é à toa que apenas 13% dos brasileiros aprovem o governo. E o PT? Parece que está em vias de alguma mudança brusca, porque se desvinculou dos princípios éticos e políticos que nortearam a fundação do partido. Distante dos movimentos sociais que formaram a base política do partido, ferido de morte pelo “mensalão”, o PT está numa encruzilhada.

Ou muda – ou acaba.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Protestos de rua contra o governo perdem força. Mas o descontentamento aumenta. Pesquisa do Datafolha diz que 63% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma.

  1. José Antonio Severo disse:

    Acho que o quadro político brasileiro está se estabilizando. Já se passaram seis meses das eleições, quatro da posse no novo governo (efetivamente um governo novíssimo, pois seu programa não coincide com o prometido na campanha eleitoral). Dilma Rousseff está amargando a herança maldita do governo anterior. Porém, passado esse tempo e se acertarem os ajustes em curso, poderá navegar em águas menos turbulentas na segunda fase de sua administração. Os movimentos de rua pouco a pouco vão entrando no leito natural. Mas vieram para ficar. As ruas serão palco para demonstrações, como nos demais países civilizados do mundo. Falta uma reforma política, efetivamente. É preciso criar mecanismos de contenção muito rígidos para impedir a farra partidária. O problema é como acomodar as correntes da esquerda que se fracionam em mais de uma dezena de pequenas agremiações. Sempre se critica muito os partidos não marxistas, mas o problema será maior na esquerda, que não se contentará em ficar toda debaixo do mesmo guarda-chuva e sujeita às lideranças das legendas hegemônicas, PT e PSDB. Aí é que a porca vai torcer o rabo.

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  2. Diana disse:

    Duas pergunta:
    1- Oq o Collor fez para merecer o impeachment que a Dilma ainda não fez?
    2- A presidenta tem poder de veto e por ela passam todas as leias aprovadas pelo Congresso?

    Li um artigo muito interessante na revista Época dessa semana, sobre o tema da reforma politica e fiquei me questionando: Afinal todos os presidentes foram reféns do Congresso, qual a grande dificuldade ou diferença desses para a Dilma?

    Acho que o Brasil precisa é de justica. A corrupção nao se resolve com reforma politica, e sim com a punição dos culpados independente da quantidade de dinheiro no bolso.

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