Não se sabe bem o motivo, mas o Planalto recebeu com alívio a última pesquisa Datafolha sobre Dilma Rousseff. Os números mostram uma redução de apenas 2% na rejeição ao governo.

Dieta, emagrecimento e popularidade em baixa.

Dieta, emagrecimento e popularidade em baixa.

A última pesquisa Datafolha, realizada antes das manifestações de domingo, mostra uma ligeira redução da rejeição ao governo petista: 2%. Foi o suficiente para que assessores diretos da presidente Dilma tenham identificado uma tendência de queda no quadro dramático de perda de popularidade do governo. Além disso, o número dos que consideram o governo “regular” aumentou 3%. O Planalto atribui essa melhora, se é que podemos chamar assim, ao fato de que a presidente apareceu mais, viajou mais, falou mais. Principalmente, endureceu o tom em relação à corrupção que está destruindo a imagem pública da governante e do PT.

O comando político do governo acredita que se iniciou uma curva positiva nas pesquisas de opinião pública. Parece um exagero, já que o Datafolha revela que 63% dos brasileiros querem mesmo expressar um sonoro “Fora Dilma”. Setores do PT continuam achando que a rejeição está concentrada na classe média abastada, que votou contra Dilma nas últimas eleições. Ledo engano! O descontentamento chegou até mesmo ao Nordeste, cuja votação determinou a vitória de Dilma sobre Aécio Neves por apenas 3,27% dos votos válidos. Se a eleição fosse hoje, ela perderia essa vantagem.

Termômetro da crise;

Termômetro da crise;

Vamos conferir o resultado do Datafolha:

Ruim ou péssimo: 60% (antes eram 62%)

Regular: 27% (antes eram 24%)

Bom ou ótimo: 13% (igual à pesquisa anterior)

Por esses números, o campo de aprovação de Dilma (a soma de ótimo, bom e regular) estaria em 40%.

Os segmentos mais otimistas do PT acham que a popularidade da presidente vai melhorar com a aprovação das medidas de ajuste fiscal, com a solução dos problemas do Fies (o financiamento estudantil afeta milhões de famílias) e com a voz forte de Dilma contra a corrupção. Querem aumentar a visibilidade da governante, melhorando a comunicação do governo, que de fato é sofrível. E, como sabemos, “quem não se comunica se trumbica”.

A publicidade governamental está concentrada na TV Globo, a maior emissora do país, que bate no governo de manhã até a noite. Aumentando a publicidade oficial, aumenta-se o faturamento da Globo, que vai bater no governo de manhã até a noite. Parece um contrassenso. As tendências mais à esquerda dentro do PT defendem o redirecionamento das verbas publicitárias, investindo mais nas emissoras alternativas, como a Band e o SBT. Alguns querem a suspensão dos investimentos publicitários na  Globo, o que seria censura pura e simples. Seria mesmo? Muitos petistas acham que não.

O ex-ministro Luiz Gushiken.

O ex-ministro Luiz Gushiken.

Esse modelo de pressionar os meios de comunicação através das verbas publicitárias, inclusive ameaçando anunciantes privados, foi muito utilizado na ditadura. Já vimos esse filme. No entanto, no primeiro governo Lula, o ministro Luiz Gushiken, da Secom, tinha encontrado um método melhor: distribuir as verbas governamentais de propaganda conforme o ranking de audiência das emissoras. O processo seria mais democrático e melhoraria o relacionamento do governo para além da Vênus Platinada. Esse modelo nunca foi aplicado.

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