Para entender o crime organizado, é preciso olhar a história. Conheça Bugsy Siegel, o mafioso que fundou Las Vegas. Ele achava que as organizações criminosas deviam virar empresas.

O gangster Bugsy Siegel, inventor de Las Vegas.

O gangster Bugsy Siegel, inventor de Las Vegas.

Benjamim Siegel odiava que o chamassem pelo apelido “Bugsy”, inseto em inglês. Nasceu no Brooklyn, Nova York, em 28 de fevereiro de 1906. Ainda jovem – apenas adolescente -, formou uma gangue especializada em vender proteção para os comerciantes locais. Algo parecido com o que fazem hoje as milícias do Rio de Janeiro. Essa modalidade de extorsão (além do roubo de carros e jogo ilegal) o levou para a cadeia. Passou cinco anos atrás das grades e, ao sair, conheceu Charles “Lucky” Luciano, nos anos 1930.

Luciano foi o criador da “Comissão das Cinco Famílias”, entidade destinada a dirigir a “Cosa Nostra” e controlar a atividade criminosa nos Estados Unidos. É apontado como o gangster que tentou acabar com a guerra entre os mafiosos e que defendeu a tese de que o crime organizado devia se instalar na economia formal, por meio de empresas capitalistas constituídas dentro da lei. É, de certa forma, o “pai” do crime organizado. Ele inventou a lavagem de dinheiro, utilizando loterias e casas de apostas, que “limpavam” os lucros do crime. Era chamado de “Lucky” (Sortudo), porque toda terça-feira acertava na loteria que ele mesmo controlava. Hoje, no Brasil, gente muito corrupta “compra” bilhetes premiados para justificar bens adquiridos com dinheiro ilegal.

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O “Flamingo”, nos tempos atuais.

A parceria entre Bugsy Siegel e Luciano rendeu um projeto inacreditável, dentro da perspectiva de criar negócios legais para “esquentar” o dinheiro da Máfia. Foi a construção de um hotel e cassino: o projeto do “Flamingo”, com 105 luxuosos quartos e com as maiores salas de jogos de azar jamais vistas, era uma empreitada mirabolante. Ficava perto de Los Angeles, porém em meio ao deserto de Nevada, onde não existiam estradas e só se podia chegar de avião. Bugsy convenceu a “Comissão das Cinco Famílias” a investir 6 milhões de dólares na obra, uma fortuna incalculável para a época. A primeira coisa que fez com o investimento da Máfia: uma pista de pouso.

A inauguração do “Flamingo”, no verão de 1946, foi um desastre. Atrizes, atores de cinema e astros da música convidados não apareceram. E a polícia local realizou uma batida no cassino, destruindo as salas de jogos. Além do mais, os mafiosos descobriram que Bugsy havia desviado material de construção. Um ano depois, em 28 de junho de 1947, foi assassinado na casa dele, em Los Angeles. Levou um tiro de fuzil M1, calibre 30 mm, bem entre os olhos, disparado de longa distância. Mas Bugsy não estava totalmente errado.

A morte de Bugsy, em 1947.

A morte de Bugsy, em 1947.

Foi primeira página em todos os jornais americanos.

Foi primeira página em todos os jornais americanos.

Em volta do “Flamingo”, com o passar do tempo, surgiu a Las Vegas que conhecemos hoje, a Meca dos cassinos nos Estados Unidos, com centenas de estabelecimentos. No lugar dos bandidos, entraram os grandes estúdios de cinema, como a MGM e a Universal. Depois, os grandes bancos. Até agora não e sabe quanto dinheiro a Máfia lavou nos cassinos.

Quem pensa que crime organizado é bandido portando armas em favelas, está redondamente enganado.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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