Justiça Federal revoga promoção de Carlos Lamarca a coronel e manda viúva devolver indenização que recebeu do governo.

Carlos Lamarca.

Carlos Lamarca.

Uma sentença do juiz Guilherme Correa de Araújo, da 21ª. Vara Federal do Rio de Janeiro, datada de 30 de abril deste ano, manda revogar a promoção póstuma de Carlos Lamarca ao posto de coronel do Exército. No mesmo despacho, o juiz determina que a viúva, Maria Pavan Lamarca e os dois filhos do casal, Cláudia e César, devolvam as indenizações que receberam do governo. Em valores de hoje, cerca de 1 milhão de reais. A ação foi promovida pelo Clube Militar.

Lamarca era capitão quando desertou do Exército, em 24 de janeiro de 1969, para se juntar à resistência armada contra a ditadura. Deixou o quartel do 4º. Regimento de Infantaria, em Quitaúna, São Paulo, com outros dois companheiros de farda. O grupo roubou 63 fuzis FAL, metralhadoras leves e muita munição. Carlos Lamarca se tornou um dos comandantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e participou de várias ações, entre as quais se destaca o sequestro do embaixador suíço no Brasil, que foi trocado por 70 presos políticos. Com 16 militantes da organização, montou um centro de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Foi cercado por 1.500 homens do Exército e da Polícia Militar, mas escapou.

Lamarca era instrutor de tiro do Exército e treinava bancários para resistir aos assaltos da esquerda.

Lamarca era instrutor de tiro do Exército e treinava bancários para resistir aos assaltos da esquerda.

Em 1971, o capitão deixou a VPR e ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). A essa altura, era o homem mais procurado do país. Eliminar Lamarca era uma questão de honra para o regime militar. Ele foi encontrado no sertão da Bahia, mas deu muito trabalho: durante 20 dias, junto com José Campos Barreto, o Zequinha, deu um baile nas forças que o perseguiam. No dia 17 de setembro de 1971, no município de Pintada, foram cercados e mortos a tiros.

Lamarca e Zequinha mortos no interior da Bahia.

Lamarca e Zequinha mortos no interior da Bahia.

De acordo com os arquivos de O Globo: “Em 13 de junho de 2007, a Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, aprovou uma promoção especial para Lamarca. A Maria Pavan Lamarca, viúva do ex-capitão, foi concedida pensão equivalente ao soldo de um general. A comissão autorizou ainda o pagamento de R$ 300 mil em indenização para Maria e para os dois filhos de Lamarca, César e Cláudia, como compensação financeira pelo tempo que passaram no exílio em Cuba, de 1969 a 1979.”

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