Nova condenação: Fernandinho Beira-Mar acumula 253 anos de prisão. Mas pelas leis brasileiras, ninguém pode ficar além de 30 anos em regime fechado.

Fernandinho Beira-Mar.

Fernandinho Beira-Mar.

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, na madrugada de hoje (14 maio), o traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, a mais 120 anos de prisão. Trinta anos para cada um dos quatro homicídios praticados durante a famosa (e única) rebelião no presídio de segurança Bangu 1, na zona oeste da capital. No dia 11 de setembro de 2002, os presos do Comando Vermelho (CV) tomaram a instituição e invadiram a ala onde estavam os líderes das facções rivais, o Terceiro Comando e a ADA (Amigos dos Amigos).

Foram mortes horríveis, com corpos torturados e carbonizados. Envolveu uma tremenda corrupção, porque os revoltosos possuíam armas de fogo e tinham as chaves das galerias. Um guarda penitenciário, conhecido como “Playboy”, foi acusado de vender o material por 450 mil reais. Beira-Mar foi apontado como o chefe do levante, inclusive porque gravaram ligações telefônicas dele, via celular clandestino, onde dizia “está tudo dominado, as Duas Torres caíram”. O traficante se referia ao atentado terrorista em Nova Iorque, que naquele dia completava um ano. As duas “torres” eram Uê (Ernaldo Pinto de Medeiros), assassinado, e Celsinho da Vila Vintém (Celso Luís Rodrigues), que se rendeu e jurou fidelidade ao CV. Outros três detentos ligados a Uê também foram executados.

No tribunal, o traficante manda beijos para amigos e parentes.

No tribunal, o traficante manda beijos para amigos e parentes.

Durante o julgamento, diante de câmeras de TV, o juiz Fábio Uchoa desceu da tribuna e ficou diante do réu:

_ O senhor liderava o Comando vermelho?

_ Não, senhor – respondeu o traficante. O comando é liderado por uma comissão.

_ Algo parecido com o comitê administrativo de uma empresa? – perguntou o magistrado.

_ Mais ou menos isso – disse Fernandinho.

Com as sentenças de hoje, 120 anos de prisão, Beira-Mar já soma 253 anos e seis meses. Ele passou a maior parte da vida atrás das grades.  Portanto, está cada vez mais perto da liberdade, independentemente de quantos anos ainda tenha que cumprir. E não vai demorar muito. O Código de Processo Penal (CPP) estabelece pena máxima de 30 anos em regime fechado, sem benefícios.

Luís Fernando da Costa cumpre pena no presídio federal de Porto Velho (RO). Para ir ao Rio, custou 120 mil reis aos cofres públicos, segundo a TV Globo. Utilizou um avião e um helicóptero, além de mobilizar 200 agentes de segurança federais e estaduais.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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