O “Dia Nacional de Protesto” contra Dilma foi menor do que a oposição esperava. Mas intimidou o governo, que reuniu um gabinete de crise em Brasília.

Uma multidão em frente ao Congresso Nacional.

Uma multidão em frente ao Congresso Nacional.

O “16 de Agosto”, que deveria ter sido o maior protesto já visto contra Dilma e o PT, não chegou a tanto. Houve manifestações em todos os estados brasileiros (atingindo 200 cidades). Mas o “Dia Nacional de Protesto” não se transformou em um marco na luta contra a corrupção e o desgoverno, como esperavam os organizadores da marcha pelo impeachment de Dilma. Na verdade, revelou uma desaceleração do movimento de rua contra o governo. Nada parecido com os protestos de 2013.

Às quatro e meia da tarde deste domingo, a reportagem da Rádio CBN (Globo) registrava, ao vivo, que havia apenas um quarteirão da Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, ocupado por manifestantes. E a repórter acrescentou: “Só há três grandes faixas estendidas na pista e as pessoas estão se dispersando”. Horas antes, a versão online do jornal O Globo dizia que o protesto ocupava 10 quarteirões da mesma avenida.

A marcha na Praia de Copacabana.

A marcha na Praia de Copacabana.

Este cenário é um pouco diferente das grandes manifestações anteriores. O protesto estava previsto para acabar às sete da noite. Três horas antes, já não se sustentava mais. Antes, acontecia assim: dezenas (ou centenas) de milhares de pessoas ocupavam as ruas; depois, chegavam os mascarados, depredando tudo o que estava pela frente. E ocorriam os enfrentamentos com as tropas de choque, que entravam pela noite.

Neste domingo de protestos, não vimos nada disso. Nem as balas de borracha e o gás lacrimogêneo. Algo diferente aconteceu. Arrisco dizer o seguinte: desta vez, a oposição formal, liderada pelo PSDB de Aécio e FHC, decidiu “apadrinhar” o movimento, com vistas a obter dividendos eleitorais. Fez anúncios na televisão, mobilizou seus quadros partidários, especialmente em São Paulo, a “capital oposicionista”. Inclusive, neste “16 de Agosto”, dois dos maiores líderes do partido arriscaram pôr a cara na rua: José Serra e Aécio Neves. Foi a primeira vez.

Tal “aparelhamento” político do movimento de rua afastou os setores que de fato realizaram as grandes manifestações, especialmente os estudantes, o pessoal do “Passe Livre”, o movimento “Vem Pra Rua”, aquela gente do MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário) e os anarquistas do Black Bloc. Estes têm verdadeiro horror dos políticos em geral. Detestam os partidos. Querem ver todos eles na cadeia. Penso que a “ofensiva” do PSDB provocou certa repulsa.

A cara do impeachment na Internet.

A cara do impeachment na Internet.

As grandes marchas de 2013 foram surpreendentes porque não tinham lideranças: eram contra tudo e contra todos. E com ênfase na corrupção, nas questões de transporte público, saúde, habitação e segurança. Exatamente aqueles pontos em que o governo central não apresentam resultados satisfatórios. Em março de 2015, ocorreram outras manifestações. E, no entanto, revelando a mesma redução que registramos ontem. Além do mais, dias após um massacre ocorrido em São Paulo, com dezenas de mortos e feridos, numa madrugada de horror, supostamente produzida pela Polícia Militar, os ânimos antigovernamentais se traduziram em silêncio e omissão.

16 de agosto 03

O impeachment de Dilma, reclamado em todos os protestos, parece que vai ficando a cada dia mais longe. Mesmo assim, o governo está assustado. No domingo, durante as manifestações, um “gabinete de crise” se reuniu em Brasília. Coordenado pelo Ministro da Justiça, Luís Eduardo Cardozo, o grupo recebia notícias em tempo real de todo o país. Mas não aconteceu nada de muito assustador.

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2 respostas para O “Dia Nacional de Protesto” contra Dilma foi menor do que a oposição esperava. Mas intimidou o governo, que reuniu um gabinete de crise em Brasília.

  1. Antonio Carlos Baumann disse:

    Complementando: 400/450 mil na Paulista.

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    • Carlos Amorim disse:

      Caro amigo:
      obrigado pelo comentário.
      Essa questão de números está muito desencontrada. Na Paulista, por exemplo, o número de manifestantes varia de 100 mil a 1 milhão, conforme a fonte. Aliás, esses números não importam muito. O que de fato importa é a imensa rejeição ao governo.
      Continue participando. Divulgue o nosso site.
      abs
      Camorim

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