José Dirceu denunciado mais uma vez. O Ministério Público Federal diz que ele está envolvido no escândalo da Lava-Jato. É mais um duro golpe contra o PT, Lula e Dilma. Trata-se de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A casa caiu, de novo.

Presos da Lava Jato.

Preso da Lava Jato.

Na última sexta-feira (4 set), o Ministério Público Federal denunciou outras 17 pessoas no escândalo da chamada “Operação Lava-Jato”, que apura desvios de verbas públicas para políticos e partidos, de modo a apoiar iniciativas governamentais no Congresso. A dita base aliada. A roubalheira, avaliada em 6,7 bilhões de reais, só na Petrobras, também serviu para enriquecer atravessadores, doleiros e empresários. Além – é claro – de financiar campanhas eleitorais, ente 2010 e 2014.

Nesta nova fase das investigações, o principal alvo foi o ex-ministro chefe da Casa Civil da Presidência, José Dirceu, homem forte no primeiro mandato de Lula. Dirceu havia sido condenado na Ação Penal 470 da Suprema Corte, o processo do “mensalão”. A decisão do STF assenta que ele era o chefe político de uma organização criminosa que operava nas margens do poder central do país. E com vistas não ao enriquecimento pessoal, ilícito, mas para a manutenção de um esquema de poder. O objetivo seria a compra de votos no Parlamento a favor do governo petista.

Dirceu, acusado do PT.

Dirceu, acusado do PT.

Agora, infelizmente, dada a história desse líder estudantil radical nos anos de chumbo e militante socialista, a acusação é de roubalheira mesmo. A grana desviada de empresas públicas teria tornado o famoso Zé Dirceu milionário. Vai ser muito difícil provar tais acusações, especialmente num caso em que o devido processo legal se mistura com a luta política. Mas o fato é o seguinte: um destacado líder de esquerda, representante de um governo dos trabalhadores, ser passível de tais denúncias, já derrota qualquer biografia.

O juiz federal Sérgio Moro, um jovem magistrado curitibano, pode aceitar ou não as novas denúncias. Mas se aceitar – e se Dirceu for condenado – isto pode resultar em uma pena de prisão pelo resto da vida útil do ex-ministro. Ele não é mais réu primário. Seus antecedentes no “mensalão” devem agravar a nova condenação, se houver. Dirceu está em torno dos 70 anos de idade. A matemática mais simples indica que ele vai encerrar a carreira política na prisão. Esse tal de Sérgio Moro, juiz especializado em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, até agora não deu nenhuma colher de chá aos acusados. Mandou prender alguns dos maiores empreiteiros do país. Fato inédito. Está se transformando em herói nacional.

O juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

O juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

Mas o próprio Sérgio Moro fez uma importante advertência, em palestra para advogados e juízes: na Itália, durante a “Operação Mãos Limpas”, que investigava as ligações entre a Máfia e os políticos italianos, 40% dos acusados restaram impunes. O juiz que comandava o inquérito, Giovanni Falcone, foi morto em um atentado à bomba.

O atentado à bomba contra o juiz italiano.

O atentado à bomba contra o juiz italiano.

Aqui, no Patropi ensolarado, não se espera atentados à bomba contra Sérgio Moro. Mas podemos esperar alta taxa de impunidades, superiores às italianas, porque muitos dos acusados (e são dezenas) têm foro privilegiado. Foro político. Quem deseja punições severas não deve se animar muito.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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