Dilma corta 8 ministérios e anuncia redução de 10% nos salários dos ministros. Com a medida, a presidente perde poder, aumentando a participação do PMDB no governo. Mas aumenta a influência de Lula no Planalto.

Reforma ou renovação? Dilma está perdida?

Reforma ou renovação? Dilma está perdida?

Nesta sexta-feira (2 out), a presidente Dilma Rousseff anunciou, finalmente, a reforma ministerial. Foi menor do que o previsto. Acabou com 8 ministérios, fazendo fusões entre as pastas. Foi mais um acerto político do que uma redução da máquina pública. Deu mais espaço ao PMDB, numa tentativa de facilitar as negociações com um Congresso rebelde e aumentar a governabilidade. Chegou, inclusive, a dar um ministério para um aliado de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados e arqui-inimigo do governo petista, com vistas a obter apoio da bancada fluminense do partido. Ou seja: um freio de arrumação.

Disto deve resultar muito pouco em termos de ajustes das despesas públicas. Suprimiu apenas 3 mil cargos comissionados e 30 secretarias, quando há no país cerca de 1 milhão de cargos públicos. Mas ela avançou no que diz respeito às negociações com o Congresso Nacional. Por exemplo: tirou Aloizio Mercadante da Casa Civil, cargo que corresponde ao de um primeiro-ministro. No lugar, coloco Jacques Wagner, que estava da Defesa, um amigo de Lula. Tido como um negociador político mais eficiente. Mandou Mercadante para a pasta da Educação. Tirou Aldo Rebelo do cargo de Ciência e Tecnologia, do PCdoB, para a Defesa. Como o comunista histórico vai se relacionar com os militares?

Dilma entregou a Saúde para o PMDB, em nome de Marcelo Castro, o ministério que tem o maior orçamento da União. Até mesmo as crianças da escola primária sabem que a reforma ministerial não terá qualquer influência sobre o mundo real de vida dos brasileiros. Não vai reduzir a inflação, nem os juros bancários, nem o desemprego. Talvez facilite a aprovação de algumas medidas de ajuste no Congresso. E lá se vai o ano de 2015, ainda sem soluções. Com isso, o ajuste das contas públicas ficou para 2017.

Com essa reforma ministerial, Dilma aprofundou as contradições com o próprio Partido dos Trabalhadores (PT). Aumenta contra ela a resistência dos petistas. E ela sabe que não poderá participar das eleições presidenciais de 2018. Dilma e Aécio Neves (PSDB-MG) podem ter as contas de campanha impugnadas pela Justiça. Portanto, sobram Lula e Serra (ou talvez Alckmin e FHC). E não podemos esquecer de Marina Silva e Luciana Genro. Quero dizer: o cenário é sombrio e indefinido.

Ah, sim: Dilma também anunciou a redução em 10% dos salários de Presidente e Vice-Presidente da República: passam de 30.954,70 para 27.841,23 de reais. Ainda assim, continuam maiores do que 95% da população trabalhadora do país.

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