Show de baixarias na Câmara: gritaria, xingamento e empurra-empurra entre os deputados. Em meio à confusão, votação secreta para a comissão do impeachment impõe séria derrota ao governo. À noite, surpresa: STF manda parar tudo.

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Eduardo Cunha é interpelado por deputados governistas. Foto do portal Abril.

 

272 a 199. Foi esse o tamanho da derrota do governo na votação da Câmara dos Deputados. Foi escolhida a chapa de oposição para a comissão do impeachment da presidente Dilma. A sessão de hoje (8 dez) foi a mais tumultuada em muitos anos. Gritaria, palavrões, deputado empurrando deputado. Um espetáculo de baixarias poucas vezes visto no Parlamento brasileiro. A derrota da base governista foi ainda maior porque o presidente da casa legislativa, Eduardo Cunha, impôs o ritmo dos trabalhos, decretou voto secreto e impediu os debates. Parlamentares alinhados com o Planalto chegaram a quebrar algumas urnas eletrônicas que seriam utilizadas na escolha dos membros da comissão especial. Nem isso funcionou.

Além do mais, Cunha também saiu vitorioso – pela quinta vez – na Comissão de Ética que deveria decidir se abre ou não o processo de cassação do mandato dele. A sessão foi encerrada sem resultado, por causa das manobras dos aliados do presidente da Câmara. O enfraquecimento do governo fica mais e mais visível.

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Oposição comemora vitória na Câmara. Imagem da TV Câmara.

Pelos embates dessa terça-feira, dá para perceber o tamanho do impacto da defecção do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que abandonou o governo. Temer mandou uma carta agressiva para a Dilma, reclamando da falta de confiança dela. Nem se deu ao trabalho de conversar pessoalmente com a presidente. Mesmo assim, uma parte do PMDB ainda apoia o Planalto. Não se sabe por quanto tempo. Na votação da Câmara, só o PT e o PCdoB fizeram claras manifestações pró-Dilma.

Um detalhe: se os 199 votos que o governo recebeu se mantiverem fiéis, Dilma escapa do impeachment. Precisa de 172 para impedir o processo. Mas a diferença de apenas 27 votos é pequena para um Parlamento acostumado a negociações espúrias e traições de todo tipo.

À noite, após os telejornais da hora do jantar, chegou a notícia de que o ministro Luiz Édson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou parar tud0. O magistrado concedeu liminar a uma reclamação feita pelo PCdoB, que apontava falhas e ilegalidades na sessão da Câmara. O caso vai ao plenário da Suprema Corte no dia 16 deste mês. Até lá, nada vale. No despacho, o ministro adiantou que o voto secreto imposto por Eduardo Cunha não está nem no regimento interno da Câmara, nem na Constituição.  Ou seja: bagunça geral.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. Diana Barros disse:

    Já teve uns tapas!! LOOOL lembrei do seu artigo!!

    Curtir

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