Confronto entre facções deixa 52 mortos e 12 feridos graves em penitenciária do México. É a guerra dos cartéis das drogas. O tráfico corrompe as polícias, os tribunais e os governos locais.

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Parentes de presos, desesperados, tentaram invadir presídio. Foto AP.

                                            Um dia antes da visita ao México do Papa Francisco, o mundo é surpreendido com a notícia de um massacre na penitenciária de Topo Chico, interior do país. O confronto entre bandos de traficantes rivais presos, representando duas das maiores facções criminais mexicanas, Los Zetas e o Cartel do Golfo, resultou, até agora, em 52 mortos e 12 feridos graves. Presos foram decapitados, enforcados e atirados do alto das galerias. Alguns foram incinerados. Depois do Carandiru (111 mortos em 1992), em São Paulo, este pode ser o segundo maior massacre penitenciário do continente.

                                            Um dos temas da visita do Sumo Pontífice ao México, país de maioria católica, é justamente a questão penitenciária. Francisco tem presença confirmada no presídio de Ciudad Juarez, onde deve falar sobre superlotação, direitos humanos e as tragédias do narcotráfico. Agora já não se sabe se a visita vai se realizar. A guerra dos cartéis é antiga e já provocou milhares de mortes. Hoje os traficantes mexicanos são os maiores compradores da cocaína produzida na Colômbia – e são os responsáveis pela entrada da droga nos Estados Unidos e Canadá. Um negócio de vários bilhões de dólares por ano.

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Cocaína e maconha dos cartéis, apreendias pela polícia mexicana.

                                            Em janeiro de 2012, segundo a edição online da Folha de S. Paulo, Los Zetas haviam matado 31 traficantes do Cartel do Cabo. Foi no interior de um presídio federal superlotado. No mês seguinte, trucidaram outros 44 presos da facção rival. Como acontece aqui no Patropi, no México o crime organizado domina as cadeias. Um relatório do governo daquele país, datado de 2013, afirma que são os presos que decidem quem vive ou morre atrás das grades: entre 101 penitenciárias, as facções controlem 65 delas.

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Membros das gangues na cadeia.

                                            E a guerra das drogas se estende às ruas das cidades do México. Lá as Forças Armadas estão na linha de frente do combate. Contam com apoio financeiro e logístico dos Estados Unidos – e mesmo assim não conseguem controlar a situação. Uma das causas desse fracasso é a enorme corrupção patrocinada pelo narcotráfico, que está infiltrado nas polícias, nos tribunais e nos governos.  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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