Brasil mobiliza 85 mil agentes para a segurança das Olimpíadas deste ano. Mas o governo teme ataque terrorista em agosto. A sombra de Paris ronda os jogos no Rio de Janeiro.

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O Centro Integrado Antiterrorismo, em Brasília;

O governo brasileiro finaliza o esquema de segurança para os Jogos Olímpicos no Rio. Será a maior operação policial e militar já vista no país, reunindo duas vezes o efetivo de proteção usado em Londres no ano de 2012, que era o recorde. Serão 85 mil homens e mulheres das Forças Armadas, polícias estaduais, federal e defesa civil. Mesmo não havendo registros de ações terroristas no país nos últimos 35 anos, as autoridades esperam “o pior cenário”. Após os ataques da Al Qaeda e do Estado Islâmico na França, no ano passado, o terrorismo é agora a principal preocupação.

Um especialista no tema, Pascal Boniface, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos de Paris, declarou à Folha de S. Paulo (edição online de 4 de fevereiro): “Não podemos esquecer que os terroristas procuram impactar a opinião pública. O risco terrorista acompanha as câmeras”, que vão registrar os jogos. Mesmo ressaltando que o Brasil está distante dos conflitos que envolvem o Islã, o professor alerta: o perigo é real. Por causa da imensa repercussão do esporte olímpico.

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Policiais treinam para atuar nas Olimpíadas 2016.

Até ocorrerem os ataques em Paris, a estratégia brasileira, baseada nas experiências da Copa das Confederações, da visita do Papa Francisco e da Copa do Mundo, estava focada em ações do narcotráfico, roubos e sequestros e manifestações políticas violentas. Agora tudo mudou: o governo conta com a chegada de extremistas, até porque, durante as Olimpíadas, vai haver uma série de facilidades para conceder vistos para turistas. No dia 16 de novembro do ano passado, segundo a Folha, um porta-voz da milícia radical islâmica ISIS (EI), o jihadista francês Máxime Hauchard, procurado em todo o mundo, postou na Internet: “Brasil, você é o nosso próximo alvo”.

O Brasil não possui uma legislação específica para punir atos terroristas, desde que a Lei de Segurança Nacional (LSN), dos tempos do regime militar, caducou. Há projetos neste sentido tramitando a passos de tartaruga no Congresso. Aparentemente, falta vontade política para transformar tais projetos em leis. Em entrevista às emissoras de televisão, a presidente Dilma Rousseff já disse que precisamos aprovar essas medidas. Não fizemos nada até agora. Mas firmamos importantes acordos internacionais, ligados ao alerta mundial antiterrorismo. Já temos um sistema que permite saber, em tempo real, quem está embarcando em direção ao país de qualquer ponto do planeta.

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Força de choque para reprimir manifestações políticas.

Recentemente, foi criado em Brasília um Centro Integrado Antiterrorismo, controlado pela Polícia Federal. Centenas de agentes policiais estrangeiros vão atuar no país, incluindo a CIA, o DEA, o FBI e a Europol.  Mas o tabuleiro da crise de segurança é complicado: temos mais de 15 mil quilômetros de fronteiras terrestres, por onde entram drogas e armamento sofisticado para o crime organizado. Nunca foi possível deter esse movimento. Em 2016, a responsabilidade aumenta: vamos receber 10 mil atletas de mais de 200 países, além de milhões de amantes dos esportes olímpicos. As transmissões de televisão devem chegar a 2 bilhões de pessoas em todo o mundo.

É o cenário perfeito.

 

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