ISIS monta exército de crianças para combater na Síria e no Iraque. O número de baixas fatais entre menores jihadistas triplicou nos últimos dez anos.

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O drama das crianças na guerra.

A milícia extremista islâmica ISIS (ou Daesh, como é mais conhecida no mundo árabe – ou Estado Islâmico do Iraque e do Levante, em inglês) está recrutando um exército de crianças para combater em nome de Alá. Os soldados-meninos estão em operação no norte do Iraque e nos territórios da Síria ocupados pela facção. Têm entre 6 e 14 anos, são filhos de milicianos ou órfãos de guerra. O ISIS dá a essas crianças uma tarefa assustadora: são agora os principais propagandistas da organização, participando de execuções e explodindo carros cheios de reféns. Também são usados para intimidar a população civil, patrulhando as zonas ocupadas junto com os adultos. E tudo vai sendo filmado para exibir na Internet e nas emissoras de televisão de todo o mundo.

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Jovem combatente afegão.

Um estudo do Centro de Combate ao Terrorismo, da academia militar de West Point (EUA), publicado na semana passada, nos dá a exata medida deste novo drama da guerra moderna. Acompanhe:

“A força ideológica do discurso jihadista sobre diferentes gerações é um dos principais caminhos percorridos pelos menores de 18 anos ao interior dos campos de batalha. Apenas no último ano, 89 ‘jovens mártires’ conquistaram o status de heróis pelas suas operações de guerra nas propagandas da insurgência e foram estudados pelo Centro de Combate ao Terrorismo. Dentre eles, 67% vinham de diferentes regiões na Síria e no Iraque — embora o poder do Estado Islâmico também chegue às camadas mais jovens de países como Iêmen, Arábia Saudita, Tunísia, Líbia, Reino Unido, França, Austrália e Nigéria”. (Edição online de O Globo de 19 de fevereiro)

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Ele quase não consegue segurar o AK-47.

Em todos os tempos, crianças foram usadas nos campos de batalha. Durante a invasão nazista da Rússia (1941-1943), percorriam as áreas de conflito para recolher cápsula de balas destinadas a serem recarregadas. No Vietnã, estavam na guerrilha contra os invasores estrangeiros, japoneses, franceses e americanos. Nas guerras tribais da África, meninos eram sequestrados e incorporados à força nas milícias. Mas foi nos enfrentamentos com os palestinos, no Oriente Médio, que a atual crise teve início. Crianças-soldados eram vistas com frequência nas fileiras do Hezbollah (Líbano) e do Hamas (Gaza).

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Crianças combateram na Rússia.

Mas, em termos de brutalidade, o ISIS superou tudo isso. As crianças viraram “a face da insurgência”. São exibidas como heróis e mártires. Algumas participaram da execução dos próprios pais. Na propaganda radical islâmica, a mensagem é clara: “Viemos para ficar. A próxima geração de combatentes já está aqui”.

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