Eduardo Cunha perde de 10 a 0 no STF. Mas agora a crise política atende pelo nome de Delcídio do Amaral. O senador do PT envolve Lula e Dilma na Lava-Jato.

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Eduardo Cunha: Supremo aceta denúncias por unanimidade.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade (dez votos a zero, já que um ministro estava ausente), aceitou as denúncias do procurador-geral Rodrigo Janot contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). É a primeira vez que um presidente da Câmara Federal se torna réu em uma ação criminal na Suprema Corte. O deputado agora responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro (Inquérito 3983 da PGR). Se condenado, ainda pode ser penalizado pelos crimes de peculato, sonegação fiscal e formação de quadrilha, que somam dezenas de anos de prisão. Cunha foi acusado de receber 5 milhões de dólares em propinas relativas a contratos da Petrobrás.

O STF também aceitou as denúncias contra a ex-deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ), atual prefeita da cidade fluminense de Rio Bonito. Oito dos 10 ministros afirmaram que há indícios de que ela foi cúmplice dos crimes atribuídos ao presidente da Câmara. Em voto eminentemente político, o ministro Celso de Mello, decano da corte, afirmou que a Lava-Jato investiga a maior organização criminosa do país, cujo objetivo é se apoderar das instituições. O plenário da corte seguiu o voto do ministro-relator Teori Zavascki, cujo conteúdo técnico e sóbrio ganhou a unanimidade.

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Delcidio do Amaral: bomba-relógio em Brasília.

A crise política ficou ainda mais grave nesta quinta-feira (3 mar) com a revelação de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder petista no Senado e homem de confiança de Lula e Dilma, estaria negociando uma delação premiada com o Ministério Público. Delcídio foi preso em novembro do ano passado. Ficou 87 dias na cadeia. Neste período, segundo a revista IstoÉ, teria prestado seis depoimentos aos federais, relacionando Lula e Dilma aos crimes investigados pela Lava-Jato. A notícia-bomba, que havia sido antecipada por O Globo, explodiu hoje de manhã em Brasília, provocando enorme confusão.

Delcídio se considera abandonado pelo PT, que chegou a suspender a filiação partidária do senador. O ministro José Eduardo Cardozo, agora na Advocacia Geral da União, disse aos jornalistas que se trata de uma retaliação, acrescentando que o provável delator “não tem credibilidade”. Declaração forte, especialmente contra um parlamentar que privou da confiança do Planalto por vários anos. A suposta delação de Delcídio do Amaral é dinamite pura. E já inflamou a oposição: PSDB e DEM querem que os tais depoimentos sejam incluídos no pedido de impeachment da presidente, aceito por Eduardo Cunha e que está parado por decisão do STF. Cunha tentou atropelar a Constituição e foi barrado pela Suprema Corte.

Esta quinta-feira, dia em que o IBGE anunciou que a economia brasileira encolheu 3,8% em 2015, vai deixar consequências na vida política nacional. Em primeiro lugar, a oposição se anima para fazer avançar o impeachment da presidente Dilma, cujo governo está acuado. Em segundo lugar, deve resultar na cassação de Delcídio pelo Conselho de Ética do Senado. E, em terceiro, pode (ou deve) resultar na queda de Eduardo Cunha. De acordo com o voto do ministro Celso de Mello, antecipando um julgamento de mérito, um parlamentar acusado de crimes tão graves não pode ter mandato – muito menos chefiar um dos poderes da República.

Mas as leis do Patropi são generosas.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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