Lava-Jato condena Marcelo Odebrecht a 19 anos e 4 meses de prisão. Com ele, outros executivos da companhia também caíram sob a pena pesada do juiz. Alguns delatores foram sentenciados a mais de 20 anos, mas têm o benefício da suspensão por “colaboração premiada”.

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O maior empreiteiro do país condenado a 19 anos de prisão;

 

                                   Mais uma vez, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), que concentra as investigações da Lava-Jato, ocupa o centro da mídia. Bateu o martelo hoje (8 mar): condenou o maior empreiteiro do país a décadas de prisão. Arrastou para a cadeia, com Marcelo, que já está em cana, outros executivos da empreiteira Odebrecht. Moro também enfiou a faca nas costelas de funcionários da Petrobras, que denunciaram o esquema de corrupção na petroleira. Estes, porém, têm efeito suspensivo das penas, porque delataram a organização criminosa que fraudou os cofres públicos.

                                   É a primeira vez que um empresário deste porte cai na vala comum. E é por isso que o juiz Moro se transforma em herói da Pátria. Mesmo agora, quando se sabe que o pai dele é um dos fundadores do PSDB no Paraná – e que a mulher dele é supostamente assessora do partido de oposição no mesmo Paraná. Isso o desqualifica? Não. Acho que não. Se Moro fosse candidato a um cargo eletivo, venceria fácil. Só que precisamos pensar: o super-homem da Lava-Jato está acima da lei? Não. Ele não está. Os brasileiros esperam não se decepcionar com o magistrado. Já se encantaram com Joaquim Barbosa, do STF, relator do “mensalão” e presidente da corte, que sem mais nem menos renunciou ao cargo. Coisa nunca explicada. Mas com o Moro é diferente. Será?

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Empreiteiro e ex-senador cassado, Luís Estêvão se entrega à polícia.

                                   A terça-feira ainda teve outra notícia notável: o empreiteiro e ex-senador cassado Luís Estêvão (PMDB-DF) se entregou à polícia para cumprir pena na Papuda, em Brasília, dez anos após ter sido condenado à prisão por desvios bilionários na construção do fórum trabalhista de São Paulo, em cumplicidade com o juiz Nicolau dos Santos Neto, o “Lalau”. Em 2006, Estêvão foi condenado a 31 anos de cadeia. Mas impetrou 34 recursos em tribunais superiores e ficou solto. Pagava bem a seus advogados. Há uns 15 dias, no entanto, o STF decidiu: quem já tem condenação de segunda instância (tribunais colegiados), deve recorrer atrás das grades. É outro potentado que cai.  

                                   Parece que há uma brisa soprando no Patropi.  Quando a Justiça chegará aos juros extorsivos cobrados pelo bandos, que já atingem quase 500% ao ano?

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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