Lula é Ministro-Chefe da Casa Civil. Eduardo Cunha toma outra goleada no Supremo Tribunal e rito do impeachment será mantido. Sérgio Moro suspende o sigilo da Lava-Jato e revela: a Polícia Federal grampeou telefonema da presidente Dilma.

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Lula já é ministro da Casa Civil.

 

Lula já é ministro. A presidente Dilma Rousseff deu entrevista anunciando a nomeação, assinou o termo de posse e já mandou publicar no Diário Oficial. Ela disse, nesta quarta-feira (16 mar), que nunca se afastou do ex-presidente. Esclareceu que ele vai ajudá-la a enfrentar a crise econômica. Isto significa que teremos mudanças na política econômica. Lula não segue a cartilha monetarista, aposta em investir na produção e no consumo. A presidente Dilma aproveitou as câmeras para garantir que a nomeação não foi para livrar Lula da Lava-Jato, até porque, se for o caso, ele será julgado pela Suprema Corte. Mais uma: Dilma aproveitou a entrevista para declarar que o ministro Aloísio Mercadante, da Educação, continua merecendo a confiança do governo. Ou seja: continua ministro. É o governo partindo para a ofensiva política.

Assim que a nomeação de Lula foi anunciada, começaram protestos das oposições, especialmente no Congresso. No fim da tarde, houve mobilização em frente ao Planalto. Os manifestantes gritavam: “Renúncia, renúncia”, tudo transmitido ao vivo pela TV. Dilma já tinha deixado a sede do governo e estava no Palácio da Alvorada, a residência oficial, em reunião com ministros e lideres políticos. Pior: imediatamente após a nomeação de Lula, o juiz Sérgio Moro, da 14ª Vara Federal de Curitiba, comandante da Lava-Jato, determinou a quebra do sigilo judicial sobre todos os feitos da investigação. O magistrado, tão cuidadoso com os detalhes, sabendo que a carreira dele está em jogo, pisou na bola.

Com a quebra do sigilo, e logo em seguida, como se estivesse combinado, a PF vazou para a TV Globo um documento contendo transcrição de um telefonema da presidente Dilma para Lula. Grampear uma ligação telefônica da Presidente da República, seja ela quem for, é um absurdo sem tamanho. Dar publicidade a isso é muito pior: revela um viés vingativo de quem deveria preservar o respeito às leis e às instituições. Quando os americanos grampearam Dilma e a primeira-ministra Ângela Merkel, naquele escândalo de espionagem da ANS, foi uma vergonha mundial. Obrigou o presidente Barak Obama a pedir desculpas humildemente. Naquele caso, como neste de agora, é uma falta de cortesia e de respeito que ao tem nome.

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“Nunca me afastei de Lula”, disse a presidente Dilma.

E o que havia no tal telefonema violado pela polícia? Dilma dizia a Lula que estava enviando a ele o termo de posse como ministro, por meio de um portador. E pedia que o ex-presidente só usasse o documento em caso de necessidade. Por que? Porque o governo tinha informações de que alguns policiais federais tentariam prender Lula antes da posse oficial como ministro. Rigorosamente, não há nenhum delito neste ato da presidente.

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O ministro Luís Roberto Barroso, que definiu o rito do impeachment.

 

Mas a quarta-feira ainda teria outro round na Praça dos Três Poderes. No Supremo Tribunal Federal (STF), estavam em julgamento os recursos apresentados pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, sobre o rito do processo de impeachment, que ele havia aceitado no ano passado e que o tribunal havia barrado. Resultado: foi uma nova goleada contra Cunha. O rito do impeachment continua valendo. Isto quer dizer o seguinte:

  1. A comissão especial que aceitará ou na as denúncias contra Dilma será indicada pelos líderes dos partidos políticos.
  2. A votação no plenário da Câmara será nominal e com voto aberto. Para iniciar o processo, serão necessários 2/3 dos votos, algo como 342.
  3. Quem julga a presidente é o Senado, que se transforma em tribunal e será comandado pelo presidente do STF. O Senado pode rejeitar o pedido de impeachment, mesmo sem examiná-lo, por maioria de 2/3, cerca de 54 votos.

É ver para crer!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para Lula é Ministro-Chefe da Casa Civil. Eduardo Cunha toma outra goleada no Supremo Tribunal e rito do impeachment será mantido. Sérgio Moro suspende o sigilo da Lava-Jato e revela: a Polícia Federal grampeou telefonema da presidente Dilma.

  1. Diana Barros disse:

    Lol

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