Teori põe limite em Sérgio Moro: ministro mandou devolver investigação contra Lula para STF. Dilma diz que vai barrar o golpe, mas a situação dela no Congresso piora muito.

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Marcelo Odebrecht: se ele falar, a terra treme. Imagem portal Veja.

                 No início da noite desta terça-feira (22 mar), o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal, resolveu colocar alguns limites na atuação do juiz Sérgio Moro. Relator da Lava-Jato do STF, Teori mandou o juiz de Curitiba remeter a Brasília toda a documentação da investigação contra o ex-presidente, incluindo as gravações telefônicas, sobre as quais decretou sigilo. Moro tem que obedecer e fica de mãos amarradas. Não pode tomar nenhuma atitude em relação a Lula. Muito menos pedir a prisão dele.

                                   Habilidoso, porém, o ministro não deu posse a Lula na Casa Civil. Se fizesse isso, iria contrariar a tradição da corte, onde nenhuma decisão monocrática (individual) de um dos juízes é anulada por outro. No caso, seria como desautorizar Gilmar Mendes, cuja liminar, na última sexta-feira, impediu Lula de tomar posse e de ter foro privilegiado no Supremo. A decisão de mudar isso cabe ao plenário do tribunal, que só deve se reunir no início de abril para tratar desse assunto. Ou seja: parou tudo relacionado a Lula.  

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Vice do Corinthians preso pela Lava-Jato.

                                   Foi mesmo uma super terça-feira. O dia já amanheceu com a Polícia Federal na rua, levando 110 mandados de busca, apreensão e até de prisão preventiva. Todos assinados por Sérgio Moro. Alvo: a Construtora Odebrecht, acusada de abrigar um “departamento de propina” em seus escritórios. É claro, minha gente, dar dinheiro para políticos e atravessadores gera enorme burocracia. Havia mesmo um segmento da empresa especializado em corrupção – e clandestino. De quebra, os federais também prenderam um vice-presidente de futebol do Corinthians, que teria recebido meio milhão de reais, em dinheiro, durante a construção do estádio do “Itaquerão”. Na casa dele foram encontradas duas pistolas sem registro. Foi em cana, pagou fiança e foi liberado. A construtora investigada participou da obra no timão. E correu a informação de que Marcelo Odebrecht, dono da companhia, um dos mais importantes empresários do país, está negociando uma delação premiada. O empreiteiro, preso desde junho do ano passado, já foi condenado a quase 20 anos de cadeia. Se ele contar o que sabe, o mundo vai tremer!

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Dilma discursa no Planalto. Foto Agência Brasil.

                                   Pela manhã, Dilma recebeu no Planalto um grande número de pessoas ligadas ao judiciário: juízes, procuradores, professores de Direito, estudantes. Durante mais de três horas, foi um barulhento ato de apoio à presidente, reunindo mais de 300 pessoas. Quase um comício: muitos aplausos, palavras de ordem, gritos de guerra. Dilma discursou, com transmissão ao vivo de rádio e TV. Disse que vai barrar o golpe e que não renuncia. Mas, no Congresso, a situação da chefe do governo piora a cada minuto: agora já se dá como certo que será derrotada na comissão do impeachment. Isso quer dizer: o processo de cassação será aberto.                                 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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