Comandante-em-chefe do Exército fala aos subordinados: “A Constituição e as leis devem ser respeitadas”. Um recado que serve para todos os lados da crise. O general disse ainda que o Exército pode intervir se for convocado por um dos três poderes da República.

impeachment 12

General Villas Boas já disse que o Exército não apoia nenhum golpe.

                                   Em programa exibido em canal do Exército no You Tube (“Comandante Responde”), o general Eduardo Villas Bôas, comandante-em-chefe, disse que a sociedade espera um posicionamento dos militares. O Exército, esclarece, “é uma instituição de Estado e, por sua credibilidade, é natural que se espere dele um posicionamento diante da crise”. O comandante garantiu que seguirá o preceito constitucional de só intervir se houver grave perturbação da ordem, “para assegurar a estabilidade”. Ou se for convocado por um dos poderes da República, como está escrito na Constituição. Villas Bôas frisou: as leis têm que ser respeitadas.

                                   A gravação está no último trecho do programa, do qual participa regularmente. O general parece ter feito questão de que fosse um comentário ocasional – e não um pronunciamento oficial. Mas o programa tem como público principal a cadeia de comando do Exército. E não deixa de ser um recado para todas as partes envolvidas na crise política. Quando ele diz “se for convocado por um dos três poderes da República”, quer dizer: tanto o Executivo, quanto o Legislativo ou o Judiciário. Três poderes atualmente em choque. Os militares podem ser um fator de desequilíbrio na disputa? O comandante é tido como legalista e sofre acusações frequentes da extrema-direita. Já foi chamado até de comunista.

                                   Mas se engana quem imagina que Dilma não é alcançada pelo recado do militar. Nem ela, nem Lula, nem as oposições radicais. Nem o Sérgio Moro. O comandante deixou bem claro que pode vir a agir para dar estabilidade ao país. E quando diz que “a sociedade espera um posicionamento”, o faz sabendo que o Exército, mesmo após 21 anos de ditadura e arbítrio, ainda é uma instituição respeitada. “É o que indicam as pesquisas de opinião” – assegurou no programa.

                                   O comentário do general pode ser entendido de maneira simbólica: o Exército está atento, venha de onde vier o golpe.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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