STF nega pedido de Dilma para adiar votação do impeachment: 8 a 2. A situação da presidente atinge o nível crítico. Fora grandes surpresas, o governo vai cair em três semanas.

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O plenário da Corte Suprema decide contra o governo. Imagem TV Justiça.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na madrugada desta sexta-feira (15 abril): a Câmara dos Deputados vai votar a autorização para o impedimento da presidente no próximo domingo. A corte rejeitou um pedido  de novos prazos para a defesa, baseado em mandado de segurança impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU). A derrota no Supremo dá uma boa ideia do que virá em seguida: a maioria absoluta dos deputados vai votar contra Dilma e o caso vai para o Senado, que se transforma em tribunal. E lá ela também vai perder. Ou seja: o governo vai cair em poucas semanas, por volta do dia 11 de maio.

A partir de agora, diante da queda iminente, Dilma estará sozinha. Como sabemos, todos os ratos abandonam o navio antes do naufrágio. Não pode contar com aliados de última hora. Salvo eventos extraordinários, surpresas que ninguém espera mais, a votação contra ela será esmagadora no Congresso. Basta ver a fila de carros de luxo na porta da residência oficial do vice Michel Temer. O Palácio do Jaburu virou local de romaria para políticos em busca de uma migalha qualquer do butim. Serão herdeiros da maior crise já vista na história deste país.

Dilma Rousseff cai por seus próprios erros – e por graves equívocos de seu partido. O PT, contrariando os princípios da fundação do Partido dos Trabalhadores, conviveu pacificamente com a corrupção desenfreada e com um sistema político baseado no poder econômico. Um modelo em que os grandes interesses nacionais ficam em segundo plano, em nome de uma duvidosa governabilidade. Tão duvidosa, que deu nisso aí. É claro que Dilma não cometeu crimes que possam ser atribuídos à pessoa física dela. Mas impeachment é julgamento político. E na política Dilma mostrou uma incompetência difícil de entender. Quando aceitou o socorro de Lula, já era tarde demais.

Além disso, a crise econômica iniciada em 2014 esmagou as conquistas dos governos Lula: desenvolvimento com distribuição de renda, pleno emprego e inclusão social. A crise, marcada pela queda na produção e no consumo, com explosão inflacionária e cambial, levou ao desemprego em massa. A soma de tudo isso devastou a popularidade de Dilma e do PT. E ameaça arrastar o próprio Lula. Agora que o desastre se desenha no curto prazo, conselheiros próximos à presidente recomendam dois caminhos que não se aplicam mais: compor um novo governo ou convocar novas eleições.

O primeiro conselho não é mais viável, porque não há bases partidárias de apoio além do próprio PT e do PCdoB. Um governo amplo deveria ter sido formado após as grandes manifestações populares de 2013. Agora não dá. O segundo conselho também não serve. Para convocar eleições, Dilma teria que renunciar e Michel Temer também – e o vice não fará isso por total falta de lógica no ato. As oposições de centro (PSDB, PPS, PSB, PV, Rede) foram ultrapassadas pela direita (DEM, PMDB, PTB, PP e outros). Neste sentido, a sofisticada articulação dos tucanos com a grande mídia, que insuflou a queda do governo, fracassou. O PMDB fará governo próprio, com algumas lateralidades. É a vitória do “baixo clero”!

Nota: agora, por volta de nove da noite desta sexta, o placar do impeachment registrou perdas nos votos contra Dilma. Segundo a Folha de S. Paulo, há 339 deputados pela queda do governo, 3 a menos do que o necessário. O Estadão diz que os deputados a favor da queda de Dilma somam 343, um a mais do que é preciso. Esses números devem continuar variando até domingo. Mas o prognóstico contra o governo continua péssimo.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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