Movimento “Nem Dilma Nem Temer” cresce na Câmara e pode provocar ausências importantes na votação de domingo. Líder do governo propõe mobilizar as ruas por eleições diretas.

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Líder do governo pede eleições diretas. Image, da TV Bandeirantes.

A sessão de discussão do afastamento de Dilma, na Câmara, atravessa a noite e a madrugada e chega ao sábado com 440 deputados presentes. Fato raríssimo na história parlamentar brasileira. Talvez inédito. Os números a favor e contra a presidente continuam oscilando, mas apresentam vantagem para as oposições. A bolsa de apostas indica: para cada vota a favor de Dilma, haverá três contra. Segundo a pesquisa feita pela grande mídia, que apoia a queda do governo, o quatro é o seguinte: 347 a 128, segundo a Folha de S. Paulo; 347 a 126, em O Globo; 346 a 133, no Estado de S. Paulo.

Enquanto rola a polêmica sobre os números, com o governo fazendo centenas de nomeações em uma edição extra do Diário da União, cresce entre os deputados o movimento “Nem Dilma Nem Temer”, que prega a abstenção e, portanto, a diminuição do quorum pró-impeachment. Cada um que faltar reduz as chances das oposições. É uma campanha parecida com a do voto nulo durante a ditadura, que teve efeitos duvidosos.

Na manhã deste sábado (16 abril), o deputado Wadih Damous (PT-RJ), vice-líder na Câmara e um dos mais combativos articuladores do governo, propôs a convocação de eleições gerais. ‘Não podemos aceitar o golpe”, disse a jornalistas. “Vamos apresentar uma proposta de emenda à Constituição de iniciativa popular, colhendo milhões de assinaturas nas ruas”. Sabe bem o deputado que isso iria exigir aprovação por dois terços do Congresso, coisa nada fácil de fazer na atual conjuntura. A não ser que milhões de pessoas ocupassem as ruas, o chamado evento extraordinário em matéria de política. Seria a melhor saída, porque se ouviria a voz das urnas.

Com a aprovação do impeachment, teremos Michel Temer e o PMDB no comando da Nação. E o deputado Eduardo Cunha como vice. O mesmo Cunha que é réu num processo de corrupção e lavagem de dinheiro no STF. Em um governo como este, qual seria o destino da Lava-Jato, por exemplo? Você, que está indignado com a corrupção, pensou nisso?

No caso de uma democracia moderna, supostamente o Brasil, tomar uma decisão de tal envergadura, cassando o mandato da presidente, só deveria ocorrer com uma ampla consulta popular. Caso contrário, pela via indireta, 342 deputados e 54 senadores ficam responsáveis pela decisão. É – de fato – um retrocesso na vida política brasileira. Quem está de saco cheio da corrupção sistemática e criminosa vai entregar o comando do galinheiro à raposa? Ao que parece, vai. Desta forma, a consulta popular e/ou a votação direta representaria a manifestação clara da nacionalidade.

A última eleição indireta da história do país foi em 1985, no ambiente do Congresso. Tancredo Neves, representante das oposições, foi eleito. Contra ele estava um expoente civil do regime militar: Paulo Maluf. A vitória de Tancredo encerrou o ciclo autoritário. Quis o destino que o velho político mineiro jamais ocupasse o Planalto. Morreu antes. No lugar dele, assumiu o vice: José Sarney.

Tudo indica que há nesse país uma “maldição dos vice-presidentes”.

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