Dilma já disse: se perder no dia 11, é carta fora do baralho. E ninguém gosta de jogar com carta fora do baralho. Vale como explicação para Lula não ter ido ao Anhangabaú?

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Separados pelo palanque. Foto do Portal Alagoas 24 Horas.

Recebemos do jornalista Pinheiro do Vale, antigo frequentador dos bastidores planaltinos, uma versão no mínimo curiosa para a ausência de Lula no palanque do 1º de maio. Trata-se de um atento frequentador dos círculos do poder em Brasília. Acompanhe a tese de Pinheiro do Vale:

                                   “Em boca fechada não entra mosca. Foi atentando a esse ditado popular que o ex-presidente Lula tomou a decisão de não comparecer ao palanque oficial do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, no Primeiro de Maio.
As grandes expressões das forças remanescentes da Base Aliada subiram e se postaram ao lado da presidente Dilma Rousseff, num ato político contra o impeachment, mas que, também, poderia ser qualificado de semioficial, uma vez que ela anunciou ali algumas medidas de governo, como o aumento do Bolsa Família e nova fórmula para o Imposto de Renda.

                                   “Falar manso depois de tudo que Lula andou dizendo em outros palanques pareceria incoerente ou sugeriria um recuo. Abrir a boca seria correr um risco desnecessário. O exemplo é o seguinte: o líder da Contag, Aristides dos Santos, dias antes fora chamado a depor na comissão especial do INCRA e FUNAI da Câmara dos Deputados.
Aristides fez uma daquelas bravatas comuns nos discursos de lideranças sem-terra. Mas a bravata foi dita no Palácio do Planalto, em frente à presidente da República. Deu pretexto à bancada da direita. Se fosse ao Anhangabaú, Lula iria falar num palanque que tinha a bordo a presidente. Seria muito arriscado.

“Lula pautou-se pela análise de custo-benefício daquele evento. As suas palavras não mais poderiam mudar nada. Na Comissão do Senado as cartas já estão abertas. O resultado dessa fase está selado. O que ele falar daqui por diante já estará noutro contexto: será parte da campanha eleitoral. Correr o risco de depor na Câmara, acusado de incitar violências, seria uma exposição infantil. Os exemplos estão fresquinhos: convocações inúteis de depoentes protegidos por habeas corpus para se negarem a responder a perguntas muitas vezes capciosas. É só vexame inútil. Melhor não se expor.

“A garganta de Lula anda mal, constituindo-se num álibi perfeito para justificar a ausência. A campanha das eleições está na rua. No domingo à noite, a TV Brasil já botou no ar um cartão pedindo antecipação das eleições presidenciais. É quase uma proposta oficial. Há um movimento forte entre essas correntes no sentido de que a presidente Dilma Rousseff encaminhe o quanto antes, enquanto ainda está na presidência, uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) mudando as regras e convocando eleição imediata.

“Há dúvidas se uma PEC pode mexer numa cláusula pétrea, como o mandato presidencial. Mas seu encaminhamento, originado no Executivo, tem força suficiente para botar o assunto no espaço político-legislativo. A interrupção do mandato viria no bojo de uma reforma política mais ampla, mexendo em toda a legislação política. No caso das prerrogativas do governante, daria ao chefe do Executivo a faculdade de chamar eleições sempre que perdesse a viabilidade política, como no caso presente, sem a necessidade de um trauma como o impeachment.

“É nas crises que se fazem as mudanças.
Por isto, Lula teria ponderado: como Aristides Santos, teria que ouvir calado ofensas a título de inquirição, proferidas com violência. Tudo diante das câmeras, assistido na tevê por sua família, amigos e correligionários. Uma verdadeira cadeira do dragão. Por outro lado, responder àquelas afirmações de deputados protegidos pela imunidade, seria um verdadeiro tiro no peito. Melhor não ir ao comício”.

 

Como podemos observar pelas palavras do jornalista Pinheiro do Vale, não há colher de chá na luta política. Só os muito ingênuos e os idealistas acreditam que o interesse público há de prevalecer. Nada disso. É pau puro. Aqui, neste site, defendemos a convocação de eleições gerais. Não é possível que a mudança fique nas mãos de um Congresso capitaneado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Como expressão da mídia independente, não confiamos em Michel Temer e no PMDB.   

 

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