A terra treme em Brasília: Janot denuncia Dilma, Lula, José Eduardo Cardozo e a cúpula do PT por obstrução da justiça e organização criminosa. O Procurador-Geral disse que Lula “é o chefe da quadrilha”. Ministros do STF mandam recado para Eduardo Cunha: renuncie já! E o PSDB mente ao dizer que não vai participar do governo Temer. Terá ao menos 3 ministros pós-Dilma.

 

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Rodrigo Janot denuncia Dilma, Lula e toda a cúpula do governo petista. Foto de divulgação.

Um terremoto, seguido de tsunami, varreu Brasília nesta terça-feira (3 maio). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou a linha de frente do governo petista ao Supremo Tribunal Federal (STF). As acusações: obstrução da justiça, com tentativas de prejudicar as investigações da Lava-Jato, e organização criminosa. Dilma Rousseff, Lula, José Eduardo Cardozo, Jaques Wagner, Ricardo Berzoini e outros 30 nomes estão na denúncia de Janot. Também há acusações contra parlamentares, alguns ex-ministros, do PSDB e do PMDB. A lista completa, infelizmente, não vazou para a mídia. Porque está tudo sob segredo de justiça.

A decisão do procurador é inédita na história republicana. Acusa pessoalmente a presidente Dilma. Na pessoa física, quando ela já responde a processo de impeachment no Senado. E quando o fim do governo já tem data marcada por acordos políticos. Janot chuta cachorro morto. Acusa o ex-presidente mais popular na história deste país, Lula, com vistas a torná-lo inelegível em 2018. Diz que Lula comanda a organização criminosa que assalta os cofres públicos desde o “mensalão”. Afirma que tem gravações telefônicas (legais?) que atestam a participação do ex-presidente como “chefe da célula criminosa”. Acusa o ex-ministro da Justiça, atual Advogado Geral da União, Cardozo, de tentar deter a marcha do judiciário. E de quebra joga a lama da denúncia sobre importantes ministros do governo, entre os quais Wagner, Berzoini, Mercadante, Edinho Silva e não se sabe quantos mais.

Curioso: mesmo sob segredo de justiça, a denúncia saiu nos telejornais da noite, incluindo os nomes mais importantes. Vazou? Rapidamente, ganhou a mídia digital, com opiniões contra e a favor da medida. Mais curioso ainda: o mesmo procurador enviou ao STF, em dezembro do ano passado, um pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por corrupção, evasão de divisas, fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Não foi julgado até agora, quatro meses depois do pronunciamento de Janot contra Cunha. Muito mais curioso ainda: Cunha e Renan Calheiros, juntos, respondem a 18 inquéritos penais no Supremo. Nada decidido até agora. Mas Dilma deve deixar o governo em uma semana.

Li na coluna da jornalista Helena Chagas (portal Os Divergentes de hoje), ela que foi ministra da Secom sob Dilma, que magistrados do STF estão mandando insistentes recados a Eduardo Cunha (nada publicável, é claro), dando sinais que a corte vai afastá-lo da presidência da Câmara dos Deputados. Sinalizam para que ele renuncie ao cargo antes do STF bater o martelo. O STF não deseja interferir no afastamento de um presidente de outro poder, que já responde a processo no Conselho de Ética da Câmara. Teori Zavascki, relator dos processos da Lava-Jato, teria dito, segundo Helena, que vai levar o caso de Cunha ao plenário do tribunal nas próximas sessões. E o tribunal, devedor de explicações à opinião pública, vai crucificar o deputado. O mesmo Teori é o ministro responsável por aceitar ou não as novas denúncias de Rodrigo Janot.

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José Serra, nos tempos da resistência contra a ditadura. Imagem: Arquivo Nacional-EBC.

Em meio a essa turbulência, como se comporta o partido presidido por Aécio Neves? O PSDB se reuniu nesta terça-feira para decidir: na reunião plenária dos tucanos, Aécio defendeu que o partido não se envolva diretamente com o provável governo Temer, um desastre anunciado. Na saída, Aécio disse aos jornalistas que os tucanos apoiam Temer no ambiente do Congresso. Mas sem reivindicar cargos no governo. Pura mentira. Na verdade, o PSDB resolveu: quem for convidado para o ministério de Temer não vai sofrer nenhuma sanção do partido. Ou seja: vai participar do chamado “governo de salvação nacional”. E com ao menos 3 ministros, entre os quais José Serra, nas relações exteriores. Diga-se: o Chanceler do Brasil, cuja missão é explicar ao mundo que não houve um golpe parlamentar no país. Vocês acreditam, leitores, que José Serra, ex-presidente da UNE, exilado durante a ditadura, vai se dar a um papel como esse?

Não acredito. Mas pode. Serra, outra tragédia brasileira.

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