Decisão unânime do STF derruba Eduardo Cunha. A Suprema Corte manda recado claro: Cunha já era! Deputado diz que foi uma punição política e promete recorrer. Por outro lado, STF legitima o impeachment e facilita a vida de Michel Temer.

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O ministro Teori Zavascki derruba Eduardo Cunha. Imagem da TV Justiça. Reprodução do portal O Globo.

                                    O Supremo Tribunal Federal (STF), na sessão desta quarta-feira (5 maio), decidiu suspender o mandato do deputado Eduardo Cunha e afastá-lo da presidência da Câmara. Foi unânime. Cunha é acusado de usar o cargo para obstruir a Justiça – o mesmo Cunha que já é réu na corte por evasão de dividas, sonegação, lavagem de dinheiro e outras cositas. Foi decisão unânime, porém liminar, atendendo a relatório do ministro Teori Zavascki, que foi seguido por todos os outros e apoiado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot.  

                                   A tradição do STF indica: quando a decisão é unânime, é difícil apresentar recurso que tenha qualquer esperança de ser acatado mais tarde. Ou seja: fim de linha para o presidente da Câmara. Se for esperto, renuncia, para tentar voltar eleito em 2018, escapando de perder os direitos políticos por oito anos. No entanto, após a decisão, o deputado já mandou dizer que não vai abrir mão nem do cargo, nem do mandato. É uma provocação inútil para um STF que já virou essa página, tanto de Cunha quanto de Dilma. E Lula ainda está pendurado na pena de Teori Zavascki.

                                   Falta resolver o problema de Renan Calheiros, presidente do Senado, também réu na Suprema Corte, e do novo presidente da Câmara, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que tomou posse hoje, também investigado. Isto sem falar em outras dezenas de senadores e deputados, entre os quais Aécio Neves e Romero Jucá. Vamos ver se haverá Teori para toda essa gente. Na Câmara, o deputado do Maranhão pode renunciar ao cargo sem qualquer viabilidade e convocar novas eleições. Seria uma saída decente. Vamos ver. E se as investigações forem levadas às últimas consequências, não vai restar ninguém de pé.

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Brasília – O deputado afastado Eduardo Cunha fala à imprensa sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter seu afastamento da Câmara (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                   O outro lado dessa moeda é que o STF acaba de legitimar o impeachment da presidente. A tese do golpe parlamentar se esfarela. Antes era uma vingança de Cunha – e agora é o que? O processo segue no Senado, com desfecho previsto para o dia 11. E o próprio Temer, o maior beneficiário da crise, respira aliviado. Agora só terá que tomar cuidados para não nomear políticos investigados na Lava-Jato para o seu “governo de salvação”. Ou vai vestir de novo a carapuça do golpe. Só que, ao lado dele, há vários indigitados por corrupção. Temer terá inteligência política bastante para resolver o impasse? Ou prefere ser chamado de golpista?

                                   Quanto a Dilma, Lula e o PT, o cenário é confuso. Ela e seu partido descem a rampa do Planalto. Mas o metalúrgico nordestino é um dos favoritos para 2018.  

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