Henrique Meirelles, superministro de Temer, assume protagonismo do governo. Fala mais do que todo mundo e aparece como a face da “salvação nacional”. No entanto, até agora, o projeto econômico não tem nada diferente de Joaquim Levy ou Nelson Barbosa.

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Meirelles aparece mais do que Temer e assume protagonismo do governo.

 

                                   Estou com a sensação de que já vi esse filme. O Ministro de Fazenda assume a liderança do governo para implantar um plano mirabolante de salvação das finanças do país. Foi assim quando Itamar Franco convidou Fernando Henrique Cardoso para “conduzir” o Plano Real, cuja formulação econômica não tinha nada de FHC. Deu certo. O projeto era muito bom, reunia algumas das melhores mentes do país. O resto da história a gente já sabe.

                                   Com Henrique Meirelles acontece algo semelhante: todas as esperanças de brasileiros e brasileiras estão depositadas em seus ombros. Só que não tem o plano. Até agora, não apresentou nada diferente do que havia sido proposto por Joaquim Levy e Nelson Barbosa. Estabeleceu uma meta de déficit fiscal e agora quer aprovar uma nova DRU (desvinculação de receitas da União). Dilma já tinha feito isso, mas o Congresso se recusou a ajudar. Na época do Itamar, deputados e senadores apoiaram decisivamente o Plano Real. Essa mesma atitude pode se repetir com Michel Temer. Mas, cadê o plano?

                                   Enquanto um governo “sério” parece se restringir à área econômica, no plano político a trapalhada só faz aumentar. O ministério de Temer é um castelo de cartas, soprado ao vento de gravações de conversas comprometedoras, cujos atores são os colaboradores mais íntimos. Em 19 dias, caíram dois ministros. Outros dois estão ameaçados. Pior: as revelações deixam claro a existência no governo Temer de um forte sentimento contra a Lava-Jato. As gravações indicam que um grande acerto estava na base das articulações para afastar Dilma Rousseff. É preciso não esquecer que este é um governo formado por congressistas – e sabemos que a maioria deles responde a ações penais, dezenas delas nos inquéritos da Lava-Jato. Tudo que eles mais gostariam seria o fim dessas investigações. Fariam qualquer coisa por isso.

                                   O ambiente de confusão e bizarrice no governo começa a ter consequências graves. Alguns senadores que votaram a favor do impeachment de Dilma estão revendo as suas posições. Vou citar apenas três nomes: Romário (PSB-RJ), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Cristovam Buarque (PPS-DF). Além do mais, cresce no ambiente do Senado a mobilização em torno da convocação de novas eleições. Tudo isso é ruim para Michel Temer. E complica o afastamento definitivo de Dilma.  

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para Henrique Meirelles, superministro de Temer, assume protagonismo do governo. Fala mais do que todo mundo e aparece como a face da “salvação nacional”. No entanto, até agora, o projeto econômico não tem nada diferente de Joaquim Levy ou Nelson Barbosa.

  1. Cássio Freitas disse:

    Concordo que muito do que está sendo defendido por Meirelles já havia sido defendido por Levy e até mesmo por Barbosa, que pertence a um grupo de economistas com um pensamento distinto dos dois primeiros, quanto ao funcionamento da economia. Mas, apesar de as medidas até agora tomadas por Meirelles não terem sido novidade, como a reforma na previdência ou tentativa de desvincular receitas dada a necessidade de um ajuste fiscal, o mesmo já deixou claro em entrevistas assim que assumiu o ministério que medidas importantes vão demorar um pouco para sair. Segundo o Meirelles, eles levariam tempo para identificar o real estado das contas públicas e apenas após essa compreensão seria possível desenhar políticas públicas que atacassem os problemas presentes na economia.
    Mas acredito sim que o ministro venha a adotar medidas em oposição ao defendido por Barbosa. Como dito por ele na primeira coletiva que deu após a posse, duas medidas relevantes para a economia brasileira no momento seria o controle da dívida pública, que apresenta uma trajetória explosiva, e a reversão dos subsídios setoriais fornecidos pelo governo anterior ao setor produtivo via BNDES. Tais medidas não eram de forma alguma defendidas por Barbosa, por este acreditar que o governo é o promotor do crescimento, e que portanto o ajuste fiscal não é prioridade, e por ser defensor da política de estímulos via BNDES. Já Levy, penso que tinha uma compreensão semelhante a de Meirelles, mas não tinha apoio da presidente para modificar tais pontos por terem sido os mesmos defendidos pela mesma ao adotar a Nova Matriz Econômica, política econômica que perdurou ao longo do 1º governo Dilma.

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