General vai auxiliar Michel Temer a monitorar movimentos sociais e grupos radicais. O novo ministro do GSI quer evitar surpresas como as grandes manifestações de 2013, que pegaram o governo desprevenido. Temer terá informações exclusivas sobre o quadro político.

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O general Sérgio Etchegoyen.

 

                                   O general Sérgio Westphalen Etchegoyen vem de uma família de militares gaúchos. Tem 64 anos, é casado, pai de três filhos e avô. Seus colegas de farda o consideram um comandante linha dura, um dos responsáveis pelo Plano Nacional de Defesa. Tem experiência de comando de tropas e missões no exterior. Era chefe do Estado Maior do Exército quando foi convidado para o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Temer recriou o gabinete, extinto por Dilma, por sugestão do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Com a nomeação, Michel Temer fica bem na foto com os militares.

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Ele foi um dos criadores do Plano Nacional de Defesa.

                                   O general Etchegoyen assume também o comando da Agência Brasileira de Informações (Abin), que tem tarefas de informação, contrainformação e espionagem. O general será o interlocutor do governo com toda a área de inteligência militar. Caberá a ele o monitoramento dos movimentos sociais, especialmente no campo, e de grupos radicais nas cidades. Entre os alvos na zona rural estão o MST, a Liga dos Camponeses Pobres (atua na região amazônica), a Via Campesina e outros grupos menores, todos de esquerda. Nas cidades, a preocupação é com o MTST, o MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário), os black blocs, anarquistas e tendências jovens dispostas a recorrer à violência durante protestos.

                                               Os militares acreditam que grupos radicais de direita podem surgir. Estão preocupados, inclusive, com o fato de a lei brasileira antiterror ainda não ter sido completamente regulamentada, mesmo às vésperas dos Jogos Olímpicos. O acompanhamento dos grupos de direita e de esquerda prevê a infiltração de agentes. Em relação a partidos políticos (PSTU, PCO, PCB etc), às centrais sindicais e grandes movimentos como a UNE, o GSI terá papel de “análise de posições, com vistas a antecipar ações em futuro imediato”. O presidente Michel Temer, enquanto ocupar essa posição, vai receber relatórios e explicações da inteligência a respeito do cenário político.

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O diretor da Abin, o general e o presidente. Foto PR.

                                   O general Sérgio Etchegoyen foi o primeiro militar da ativa a protestar contra o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, em 2014, que apontava seu pai, o também general Leo Etchegoyen, como envolvido em supostos crimes políticos durante a ditadura militar. O novo ministro do GSI, à época, divulgou uma nota em nome da família. Disse que a CNV era leviana, covarde e baseada em falsas acusações. Pouco depois, um grupo de 27 generais assinou um manifesto com teor semelhante.

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3 respostas para General vai auxiliar Michel Temer a monitorar movimentos sociais e grupos radicais. O novo ministro do GSI quer evitar surpresas como as grandes manifestações de 2013, que pegaram o governo desprevenido. Temer terá informações exclusivas sobre o quadro político.

  1. José Gabriel vieira ramalho vieira ramalho disse:

    Me sinto muito mais seguro com estas mudanças no que toca a segurança interna e externa. Seja bem vindo General Elchegoyem.

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  2. Rogério C Pires disse:

    Lamentável tratar os movimentos sociais como problema de segurança, principalmente em um país marcado pela ausência de participação política popular na tomada de decisões. Se quer usar as forças armadas para combater a violência porque não passa a lotar os militares em toda a extensão das fronteiras, local por onde entram as armas e as drogas que fomentam o crime no país. Qual a necessidade de militares servindo em grandes centros como Rio e São Paulo? É tarefa fácil impor medo aos movimentos sociais, mas lotar os militares nas extremidades do país para cumprirem a função deles, isso sim é difícil e exigiria do presidente interino postura política firme e audaciosa, coisa que o conservadorismo não sabe fazer.

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