Terrorista brasileiro do Estado Islâmico tem planos para atacar franceses na Olimpíada do Rio. A revelação é do jornal parisiense Libération, confirmada pelo serviço secreto francês. É uma história confusa e sem muitos detalhes.

 

isis terrorista brasileiro 01

Este seria Brian, o terrorista brasileiro do ISIS. Ninguém sabe ao certo.

Em abril deste ano, a Agência Brasileira de Informações (Abin) já havia confirmado a autenticidade de uma ameaça aos Jogos Olímpicos do Rio. Um dos porta-vozes do ISIS (ou Estado Islâmico), o jihadista francês Maxime Hauchard, procurado em todo o muno por envolvimento com o extremismo islâmico, postou no Twitter uma ameaça ao país: “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Vamos atacar esse país de merda”. O post é de novembro de 2015, mas só este ano foi confirmado pela Abin. Agora a coisa ficou mais complicada.

O jornal francês Libération, editado em Paris e um dos mais respeitados em toda a França, publicou esta semana a informação de que um terrorista brasileiro, integrante do grupo terrorista, tinha planos de atacar a delegação esportiva francesa na Olimpíada do Rio, que começa agora, em 5 de agosto. A revelação foi feita pelo general Christophe Gormart, um dos coordenadores do serviço secreto daquele país europeu, durante audiência de uma CPI do Parlamento sobre os atentados recentes na França, no último dia 26 de maio. O general não deu muitos detalhes aos deputados, mas assegurou que a informação havia sido cofirmada “por nossos parceiros”, referindo-se às agências de inteligência americana, espanhola e inglesa. A notícia foi manchete no site do Libération. Aqui, no Patropi, emerso em escândalos de corrupção, passou batida.

Fui buscar detalhes a respeito de um brasileiro ligado ao ISIS. Encontrei um jovem chamado Brian Rodrigues, 21 anos, filho de Rosana, uma brasileira que se mudou para a Bélgica por volta do ano de 1995, levando consigo dois filhos. Brian, muito jovem, queria ser jogador de futebol. Não tinha talento e foi recusado. Viveu um longo período de depressão e passou a frequentar mesquitas muçulmanas belgas. Já em 2011, adotou o nome de Abu Qassem Brazili, um devoto do Islã. No ano seguinte, 2012, acompanhado pelo irmão mais velho, cujo nome não consegui apurar, viajou à Síria, onde os dois se juntaram aos combatentes do ISIS. Esse irmão mais velho de Brian teria morrido em combate. Não se sabe quase nada a respeito dele.

isis terrorista brasileiro 02

Aqui, nesta foto, Brian aparece com um terrorists do ISIS.

Em setembro de 2014, Rosana Rodrigues, a mãe de Brian, deu entrevista ao repórter Roberto Kovalick, do programa Fantástico (TV Globo). Ela disse que estava indo para a Síria, numa tentativa de resgatar o filho. Não se sabe o resultado da empreitada. Mas Brian entrou na lista das maiores ameaças à Olimpíada do Rio. A história é tão nebulosa, que não se tem certeza nem mesmo a respeito das fotos de Brian, divulgadas pela mídia internacional. Será mesmo o brasileiro que aparece nas imagens? Ninguém pode afirmar.

Alguns leitores deste site têm perguntado acerca do motivo de dar tanto destaque à questão do terrorismo envolvendo a Olimpíada do Rio. Resposta simples: o perigo é real.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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