O ataque terrorista em Nice assusta o governo brasileiro às vésperas da Olimpíada. Todo o esquema de segurança dos jogos será revisto. A tragédia na França já tem 84 mortos.

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O maior perigo que existe em relação à Olimpíada do Rio é justamente a ação imprevisível de um terrorista isolado, o chamado “lobo solitário”. O ataque em Nice, na França, assusta por ter sido praticado, aparentemente, por um só homem que alugou um caminhão frigorífico e lançou o veículo ontem à noite (14 jul) sobre uma multidão que comemorava o Dia Nacional da França. O terrorista, morto a tiros pela polícia, foi identificado: Mohamed Lahoaiej-Bouhlel, 31 anos, tinha nacionalidade tunisiana, mas possuía visto de residência na França. Era motorista e teve problemas com a polícia. Ele chegou a ser preso por agressão contra a própria mulher, de quem estava se divorciando. Foi condenado a seis meses de prisão, mas a pena foi perdoada. Mohamed matou 84 pessoas, incluindo 10 crianças, e deixou 202 feridos, dos quais 52 em estado crítico. Os números da tragédia podem piorar.

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O Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, General Sergio Etchegoyen.(José Cruz/Agência Brasil)

A criatividade monstruosa do ataque em Nice e a tragédia que provocou assustaram o governo brasileiro, às voltas com a segurança da Olimpíada. A ação de um terrorista solitário no Rio de Janeiro é o pior de todos os pesadelos. Imaginem um caminhão desses no calçadão de Copacabana – ou na saída do Maracanã. Aparentemente, no caso brasileiro, o controle de fronteiras é a ação mais importante, porque por elas passam drogas, armas e gente perigosa todo o tempo, como sabemos. É preciso tornar a força de repressão o mais visível possível, com dezenas de milhares de homens nas ruas. O governo federal e a Prefeitura do Rio já avisaram que haverá transtornos para a vida da cidade, causados por bloqueios e barreiras policiais. Felizmente, a Olimpíada é um evento curto: começa em 5 de agosto e vai até o dia 21. Mas o Dia Nacional da França era um só.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo de Michel Temer, general Sérgio Etchegoyen, deu entrevista coletiva em Brasília e disse que existe a possibilidade de um ataque terrorista na Olimpíada. Mas o general acrescentou que a preocupação é semelhante à de qualquer outro país que esteja sediando um evento global desse porte.  O Ministro ds Defesa, Raul Jugmann, chegou hoje à tarde ao Rio e garantiu que nossos militares estão preparados para enfrentar a situação. Enquanto isso, agora à noite, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou que o terrorista de Nice estava ligado ao Islã radical.

Quando insistimos no tema aqui no site, nem é à toa. Vou repetir: o perigo é real e imediato.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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