O jornalismo brasileiro perde um dos seus grandes nomes: Eliakin Araújo morreu de câncer aos 75 anos. Era preocupado com a ética e a precisão da notícia. Ficou conhecido ao denunciar a tentativa de fraude eleitoral no Rio, quando Brizola se elegeu governador em plena ditadura.

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Leila cordeiro e Eliakin, em telejornal de Miami. Foto CBS- Telenotícias.

                                   Foi na Rádio Jornal do Brasil, em 1982, que o jornalista Eliakin Araújo se tornou destaque nacional. Divulgou números da apuração eleitoral do Rio de Janeiro, durante a campanha para governador daquele ano, desmentindo a soma de votos apresentada pelo Tribunal Eleitoral. O caso entrou para a história como “o escândalo da Proconsult”, quando se descobriu que havia um desvio de votos brancos e nulos para um candidato, apoiado pelos militares, que disputavam o cargo com o recém-chegado do exílio Leonel Brizola. Foi a primeira eleição em que a totalização dos votos se realizou por computadores. A fraude, nunca comprovada, porque nunca investigada, ocorreria justamente no programa desses computadores, através de um artifício chamado “diferencial delta”, um truque matemático que desviaria votos.

                                   O trabalho se Eliakin – e de toda a equipe de profissionais da JB – teria impedido a fraude. E desmontado a Proconsult, que tinha gente ligada aos órgãos de inteligência, como denunciou o JB. Os números, supostamente falsos, eram divulgados pela TV Globo, produzindo enorme dano à imagem pública da emissora. A Rede Globo levou muito tempo para se recuperar da pecha de “golpista”, reavivada em 1989 com o debate enter Lula e Collor. Brizola foi eleito e reeleito para governar o Rio.

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                                   Um ano depois do episódio da Proconsult, o diretor de jornalismo da TV Globo, Armando Nogueira, convidou Eliakin Araújo para ser o âncora do Jornal da Globo, onde tive o prazer de conviver com ele como editor-chefe do telejornal. Em 1984, mesmo contratado pela Rede Globo, Eliakin foi o mestre de cerimônia do comício das Diretas-Já na Candelária, centro do Rio. O jornalista era um homem corajoso.

                                   Deixou a Globo, passou pela Rede Manchete e pelo SBT. Em 1997, saiu do país, acompanhado de sua mulher, a também jornalista Leila Cordeiro, a convite da maior rede americana de TV, a CBS. Foi para Miami apresentar um noticiário em português, exibido localmente e também reapresentado pelo SBT. Nos últimos tempos, morava em Fort Lauderdale, na Flórida, onde faleceu depois de uma luta contra o câncer.

                     

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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