Dilma pode renunciar para evitar cassação de direitos políticos. Amigos e aliados querem que ela se candidate à Câmara Federal ou ao Senado em 2018. Os gaúchos poderiam levar a presidente afastada a um mandato parlamentar.

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Temer e Dilma, aliança fracassada.

Observadores da cena política em Brasília, com quem tenho conversado, dizem que Dilma Rousseff está sendo convencida a renunciar nas próximas semanas, antes da votação definitiva do afastamento dela pelo Senado, prevista para ocorrer até o fim do mês. A ideia é escapar à cassação de direitos políticos, o que a deixaria inelegível por oito anos. Essas fontes me informam que a pressão pela renúncia parte inclusive dos familiares de Dilma. Tais articuladores pensam que a presidente afastada teria condições de se candidatar à Câmara Federal ao Senado em 2018. Apostam que os gaúchos não lhe faltariam nas urnas.

De fato, o afastamento definitivo de Dilma Rousseff é um jogo já definido, com cartas marcadas. Os mais otimistas acreditam que o placar no Senado será de 60 votos contra e 20 a favor da permanência dela na presidência. O chefe da casa, Renan Calheiros, supostamente, não votaria. Os pessimistas imaginam que a derrota será ainda pior. Dilma, Lula e o PT foram atropelados pelas denúncias de corrupção, especialmente na Lava-Jato. De um ponto de vista jurídico, as acusações contra ela são frágeis, quase carentes de base legal. Isto, no entanto, não importa. Impeachment é processo político. E, na política, a trinca errou além da conta. Não teve (ou não soube construir) apoio no Congresso e perdeu popularidade nas ruas. A crise econômica e o desemprego foram a pá de cal.

Enquanto isso, o “governo de salvação nacional” do vice-quase-presidente Michel Temer, que iria promover o ajuste das contas públicas pós-PT, gasta enormidade de dinheiro público para garantir maioria folgada no Congresso. Gasta, inclusive, mais do que Dilma. Está endividando o futuro do país, para garantir a aprovação do impeachment. As reformas econômicas estruturais (tributária, previdenciária, política etc) custarão ainda mais, porque implicam obter três quintos de votos no Congresso. Isto custa caro, em um cenário de políticos oportunistas e larápios. Temer não será capaz de desatar o nó do presidencialismo de coalizão. Poderá ser “impedido” nas ruas, quando afetar o bolso do trabalhador.

O Planalto pressiona para apressar a votação definitiva do afastamento de Dilma, coisa dada como certa. Uma semana para lá, uma semana para cá – tanto faz. Temer costuma dizer que precisa ostentar de vez a faixa presidencial para poder mostrar, de fato, a cara de seu governo. E que governo será esse? Ninguém sabe. Imediatamente, o Planalto está preocupado em organizar com o Comitê Olímpico Brasileiro um modo de “abafar” a vaia que deve levar na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, daqui a dois dias. Que tal tocar música bem alto, com fogos de artifício e tudo?

Dilma já foi esquecida. Até pelo PT, cujas bases fizeram oposição ao governo dela o tempo todo. Está só. A renúncia pode ser uma boa ideia. Aqui, neste site de opinião, somos a favor da convocação de novas eleições.

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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