Dilma pode renunciar para evitar cassação de direitos políticos. Amigos e aliados querem que ela se candidate à Câmara Federal ou ao Senado em 2018. Os gaúchos poderiam levar a presidente afastada a um mandato parlamentar.

impeachment 30

Temer e Dilma, aliança fracassada.

Observadores da cena política em Brasília, com quem tenho conversado, dizem que Dilma Rousseff está sendo convencida a renunciar nas próximas semanas, antes da votação definitiva do afastamento dela pelo Senado, prevista para ocorrer até o fim do mês. A ideia é escapar à cassação de direitos políticos, o que a deixaria inelegível por oito anos. Essas fontes me informam que a pressão pela renúncia parte inclusive dos familiares de Dilma. Tais articuladores pensam que a presidente afastada teria condições de se candidatar à Câmara Federal ao Senado em 2018. Apostam que os gaúchos não lhe faltariam nas urnas.

De fato, o afastamento definitivo de Dilma Rousseff é um jogo já definido, com cartas marcadas. Os mais otimistas acreditam que o placar no Senado será de 60 votos contra e 20 a favor da permanência dela na presidência. O chefe da casa, Renan Calheiros, supostamente, não votaria. Os pessimistas imaginam que a derrota será ainda pior. Dilma, Lula e o PT foram atropelados pelas denúncias de corrupção, especialmente na Lava-Jato. De um ponto de vista jurídico, as acusações contra ela são frágeis, quase carentes de base legal. Isto, no entanto, não importa. Impeachment é processo político. E, na política, a trinca errou além da conta. Não teve (ou não soube construir) apoio no Congresso e perdeu popularidade nas ruas. A crise econômica e o desemprego foram a pá de cal.

Enquanto isso, o “governo de salvação nacional” do vice-quase-presidente Michel Temer, que iria promover o ajuste das contas públicas pós-PT, gasta enormidade de dinheiro público para garantir maioria folgada no Congresso. Gasta, inclusive, mais do que Dilma. Está endividando o futuro do país, para garantir a aprovação do impeachment. As reformas econômicas estruturais (tributária, previdenciária, política etc) custarão ainda mais, porque implicam obter três quintos de votos no Congresso. Isto custa caro, em um cenário de políticos oportunistas e larápios. Temer não será capaz de desatar o nó do presidencialismo de coalizão. Poderá ser “impedido” nas ruas, quando afetar o bolso do trabalhador.

O Planalto pressiona para apressar a votação definitiva do afastamento de Dilma, coisa dada como certa. Uma semana para lá, uma semana para cá – tanto faz. Temer costuma dizer que precisa ostentar de vez a faixa presidencial para poder mostrar, de fato, a cara de seu governo. E que governo será esse? Ninguém sabe. Imediatamente, o Planalto está preocupado em organizar com o Comitê Olímpico Brasileiro um modo de “abafar” a vaia que deve levar na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, daqui a dois dias. Que tal tocar música bem alto, com fogos de artifício e tudo?

Dilma já foi esquecida. Até pelo PT, cujas bases fizeram oposição ao governo dela o tempo todo. Está só. A renúncia pode ser uma boa ideia. Aqui, neste site de opinião, somos a favor da convocação de novas eleições.

Anúncios
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s