Olimpíada do Rio começa com protestos. Temer terá esquema para “abafar” vaia. E a polícia paulista prende mais um suspeito de terrorismo. Estamos batendo recordes nessa modalidade: é o 15º detido por supostas ligações com o Estado Islâmico em um mês.

terror na olimpiada 15 

                                   5 de agosto. O dia da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio já amanheceu com gigantesca mobilização policial e militar no Rio, São Paulo e Brasília. Logo cedo, a tropa de choque da PM e o Departamento de Narcóticos (Denarc) da polícia paulista invadiram a “cracolândia”, no centro da capital. Bombas de gás e granadas de efeito moral dispersaram os viciados, que se acumulam aos montes na maior feira-livre de entorpecentes conhecida no mundo. Vários hotéis baratos, pensões e prédios invadidos foram os alvos principais do ataque das forças de segurança.

                                   Duas dezenas de pessoas envolvidas com o tráfico foram presas. Os policiais encontraram dois laboratórios de processamento de drogas, armas (incluindo três fuzis) e muita munição. Entre os detidos, dois líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST): um encontrado de férias com a família em Alagoas e outro em São Paulo. O governo paulista afirmou que o movimento é ligado à facção criminosa PCC e serve de fachada para a venda de drogas na “cracolândia”. Isto é não só um absurdo, como uma injustiça. Se tivesse dito que “gente ligada ao MTST trabalha para o tráfico” seria o mais correto. Afirmar que a luta pela moradia popular é fachada para o crime organizado envolve um conclusão não apenas apressada, mas de cunho político autoritário. Coisa típica dos tempos que vivemos.

                                   Além do mais, como informou o Metrô News, jornal diário distribuído gratuitamente no transporte público paulista, “a Polícia Civil prendeu, na manhã de ontem, um homem que ameaçava explodir o Centro de Controle do Metrô”. O suspeito é contador, tem 42 nos e postava mensagens ameaçadoras na Web, se dizendo integrante do Estado Islâmico. A intenção dele, como garantiu a polícia, seria “provocar pânico”. Estava sendo seguido por agentes há uma semana. Foi preso preventivamente e liberado após prestar depoimento. O delegado que comandou a investigação, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que ele brincava com coisa série e que agora vai responder a processo criminal. Aparentemente, nada a ver com o terrorismo internacional.

terror na olimpiada 16

                                   Mais uma: o esquadrão antibomba foi mobilizado para conter outra pessoa que gritava diante da estação Itaquerão, onde fica o estádio do Corinthians, onde há jogos de futebol da Olimpíada. Ele levava uma mochila e dizia que iria explodir tudo. Não havia nenhuma ameaça real. Só um susto a mais.

                                   Em Brasília, a Polícia Civil entrou em greve. No Rio, houve protestos. Um nas proximidades do Maracanã, sede da abertura dos Jogos Olímpicos. Outro foi na Praia de Copacabana, em frente ao hotel Copacabana Pálace, onde o presidente interino Michel Temer poderá se hospedar. Eram estudantes, funcionários públicos e apoiadores de Dilma Rousseff. Aliás, a participação de Temer na abertura dos jogos vai se resumir a uma frase: “Declaro abertos os Jogos Olímpicos da Rio 2016”. Em seguida, música bem alta e fogos, para encobrir a vaia que pode aparecer na TV.  

                                   Este é o Brasil Olímpico.                 

 

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