Olimpíada vai custar quase 37 bilhões de reais e supera a Copa do Mundo em 43%. É dinheiro que não acaba mais. E ainda tem a Paralipíada, que está exigindo verbas complementares. Justiça bloqueia novos repasses públicos.

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Ginasta Arthur Zanetti é prata nas argolas. ( Fernando Frazão/Agência Brasil)

                                    Enquanto vemos o Brasil despencar no quadro de medalhas olímpicas (hoje estamos em 29º lugar), os custos da festa mundial dos esportes atingem proporções astronômicas. É a velha história de sempre. A Rio 2016 pode custar 43% a mais do que a Copa do Mundo de 2014, onde naufragamos por 7 a 1 contra a Alemanha. Somando os dois eventos, poderíamos cobrir uma boa parte do déficit público brasileiro. A Rio 2016 está avaliada em 37 bilhões de reais, muito mais do que o dispêndio anual do Bolsa Família, para citar só um exemplo. Curioso: recentemente a cidade de Estocolmo, na Suécia, decidiu não realizar jogos olímpicos de inverno em 2018: um plebiscito escolheu construir habitações populares de baixo custo. Cada um responde por cada qual!

                                   E assim vamos nós. A Justiça Federal determinou o bloqueio de repasses públicos para o Comitê Organizador do Rio, por “falta de transparência nas contas”. Não se sabe exatamente quanto estamos gastando do dinheiro público. Na Suécia seria assim? Duvido. É bom frisar: o nosso problema não é de povo – é de governantes. O brasileiro faz a sua parte para abrilhantar a grande festa.

                                   Algumas coisas que não aconteceram na Olimpíada de Londres: nenhuma câmera de televisão do COI caiu sobre as pessoas (aqui tivemos 7 feridas, 4 hospitalizadas); nenhum nadador estrangeiro foi assaltado em uma falsa blitz, onde ladrões armados usavam coletes iguais aos da polícia; não havia esquemas de prostituição ao redor da vila olímpica, envolvendo meninas de 13 e 14 anos; os narradores da BBC não gritavam histericamente nas provas onde havia ingleses, especialmente diante de resultados duvidosos. Há, com certeza, muitas outras diferenças. No entanto, os brasileiros fornecem o tempero de paixão à torcida, tanto que espantou a mídia americana. Aliás, reclamam de barriga cheia: se você assistir a um jogo de beisebol entre o “New York Yankees” e o “Boston Red Sox”, vai ficar impressionado com as vaias.

                                   O tom da imprensa dos Estados Unidos dá a entender que ainda somos tupiniquins.  

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