Dilma será julgada pelo Senado na semana que vem. É o último ato do governo petista. Ela não tem nenhuma chance. E tem sido aconselhada a renunciar, para evitar a cassação dos direitos políticos.

Dilma divulga carta aos senadores e aos brasileiros. Foto Agência Brasil;

 

                                   Muita gente – inclusive este locutor que vos fala – acredita que Dilma Rousseff vai renunciar à Presidência na próxima quarta-feira. Na véspera do início do julgamento no Senado. Até as crianças da escola primária sabem que ela não tem chances de sobreviver no cargo. Mulher corajosa, apelidada de “Coração Valente”, Dilma resiste à ideia. Quer, inclusive, ir ao Senado para enfrentar cara a cara seus opositores. Será um massacre, transmitido ao vivo pela TV. A menos que ela use a oportunidade para revelar os podres de certos senadores, que ela conhece bem. Coisa muito difícil de acontecer. Neste pais, a podridão na política é discutida enter quatro paredes – e em voz baixa.

                                   A renúncia encerra o processo. Dilma, cuja pessoa física não é acusada de nada, poderia se candidatar ao Parlamento, em 2018, como deputada federal ou senadora. E teria boas chances. Mas a mulher é turrona, agressiva, e talvez prefira cair de pé. Se optar por tamanho gesto desabrido, será esquecida em pouco tempo. Se quiser continuar na política, vai sobreviver por um bom tempo. Conselheiros, amigos e familiares insistem na tese da renúncia. Mas Dilma é uma personalidade difícil. Ela detesta a ideia de perder no tapetão de Brasília. Só que vai. Vai mesmo.

                                   Dilma Vana Rousseff nasceu mineira, dois anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o episódio mais dramático da historia humana. Tinha 17 anos quando houve no Brasil o movimento cívico-militar que derrubou o presidente João Goulart. O Golpe de 1964. Militante da juventude estudantil rebelde, pregou a luta armada contra a ditadura, a tomada do poder pela violência e o socialismo. Fez parte de organizações de extrema-esquerda, como a Política Operária (Polop) e o Comando de Libertação Nacional (Colina). Foi dirigente da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), cujo nome se reporta à maior rebelião de escravos no Brasil colonial. Foi chamada de Lúcia, Luíza e dezenas de outros codinomes. Esteve na liderança da VAR, onde propunha ações revolucionárias contra os militares. Vem daí a alcunha de “Coração Valente”.

                                   Dilma foi apanhada pelos militares no dia 16 de janeiro de 1970. Estava em um bar na Rua Augusta, centro de São Paulo, onde esperava um companheiro que havia cedido à tortura. Ela não sabia. Estava armada, mas não teve nenhuma chance de resistir à abordagem dos agentes de segurança. Foi levada para a sede da “Operação Bandeirantes”, na Rua Tutóia, mais tarde conhecida como DOI-CODI. Um centro de torturas do regime militar. Como descreve o jornalista Percival de Souza no livro “Autópsia do Medo”, biografia do delegado do DOPS paulista Sérgio Fleury, ao chegar na OBAN, Dilma, algemada, foi recebida por um coro de “mata, mata”. Apanhou durante 22 dias. Bateram nela com a palmatória, instrumento de tortura usado no tempo dos escravos. Foi pendurada no pau-de-arara, instrumento de tortura inventado por brasileiros. Levou choques elétricos na boca.

                                   Não se sabe o que Dilma revelou em tais “interrogatórios”. Se fosse algum grande segredo da guerrilha, os militares já o teriam divulgado. A própria Dilma não comenta esse assunto. Ela faz de conta que nada disso aconteceu.

                                   Agora: tentar fazer essa mulher renunciar será tarefa quase impossível. Ou não? Parece que ela vai para a forca de cabeça erguida. Como é do seu estilo.  

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