O jornalismo brasileiro perde dois de seus grandes nomes: Luís Felipe Goulart de Andrade e Geneton Moraes Neto. Morreram do coração – como viveram do coração. Dói demais.

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Goulart de Andrade: uma perda irreparável.

                                   Em suas longas carreiras, esses jornalistas deram dignidade à profissão de repórter. Criaram estilos próprios, inconfundíveis. Goulart praticamente inventou o plano-sequência na TV, com o famoso “Vem comigo”, fazendo com que a câmera o seguisse sem cortes. Nos  conhecemos no Globo Repórter, início dos anos 1980. Produziu e dirigiu o famoso “Comando da Madrugada”, que foi ao ar na Globo, na Manchete e na Band, colocando inteligência nos fins de noite da telinha. Eu o chamava de “o homem que inventou a reportagem”.

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O repórter passou toda a vida na TV.

                                   Goulart de Andrade filmou a própria morte, quando teve um enfarte ao fazer uma matéria no Incor, em São Paulo. Foi salvo pelo médico Euclydes de Jesus Zerbini, que realizou o primeiro transplante de coração no Brasil. Goulart me contou: “Fiquei três minutos apagado”. E acrescentou: “Mas o médico se chamava Jesus…”. A cena foi exibida no Globo Repórter. Uma das coisas mais notáveis da carreira dele foi a entrevista que fez com um carroceiro no centro de São Paulo. O homem falava cinco idiomas e era leitor de Dostoiéviski e Sartre. Vivia na rua por opção. Goulart tinha fixação nos personagens do povo, gente desconhecida, anônima. Eu e ele costumávamos nos encontrar, na minha casa ou na dele. Podíamos passar uma noite inteira conversando.

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                                   Geneton fez proezas. Inventou a reportagem-dossiê, uma marca registrada. Era um pesquisador implacável. Os entrevistados tinham medo dele. Publicou 11 livros com temas jornalísticos. Foi um dublê de repórter e editor no Fantástico, na época em que fui diretor-geral do programa. Na Globonews, produziu dezenas de documentários, todos criados por ele. Escrevia, filmava e editava as suas matérias. Falava baixo, era calmo e doce. Ele me deu a honra de escrever o prefácio de um dos meus livros, “Assalto ao Poder”, publicado pela Editora Record em 2010. Quase em todas as vezes que falei em público, em palestras ou reuniões profissionais, lá estava o Geneton. Era um amigo incondicional. Um dos livros de Geneton, “Cartas ao Planeta Brasil”, é um clássico da história recente do país, um retrato sem retoques do regime militar através dos personagens mais importantes da trama.

                                   Os dois morreram do coração, como viveram do coração. Dói demais.

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Uma resposta para O jornalismo brasileiro perde dois de seus grandes nomes: Luís Felipe Goulart de Andrade e Geneton Moraes Neto. Morreram do coração – como viveram do coração. Dói demais.

  1. Andre Krauss disse:

    Muito triste, mas deixaram uma infinidade de boas recordações. Viverão para sempre na nossa memória.

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