STF não deve mudar decisão do Senado sobre Dilma. Não vai revogar o impeachment, nem cassar os direitos políticos dela. Movimento “Fora Temer” cresce em todo o país. E Eduardo Cunha pode cair de vez já na segunda-feira.

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São Paulo – Manifestantes no central da capital paulista protesta contra o governo(Rovena Rosa/Agência Brasil)

 

O presidente Michel Temer não vai ter descanso. Passa por constantes contrariedades. Teve que afastar três de seus ministros, acusados de corrupção. Enfrentou um racha na base aliada, no episódio da preservação dos direitos políticos de Dilma. Países vizinhos mandaram chamar seus embaixadores, o que é uma forma de protesto. O Parlamento europeu ameaçou adotar sanções contra o novo governo. Foi recebido friamente na reunião do G-20, na China (foi chamado de “líder brasileiro” – e não de presidente do Brasil). A lista de dissabores é enorme, incluindo uma campanha contra a mulher dele nas redes sociais.

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O presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer sob vaias durante desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    O presidente vê o movimento do “Fora Temer” crescer diante de seus olhos. No feriado do 7 de Setembro, foi vaiado durante a parada militar da Independência e anotou grades protestos em 25 capitais brasileiras. Houve uma vaia estrondosa na abertura da Paraolimpíada, à qual compareceu. O governo agora tem dúvidas se conseguirá aprovar quaisquer das medidas econômicas neste ano de eleições. São todas impopulares. Aliás, o famigerado slogan das “Diretas-Já” contamina setores importantes da política que é feita nas ruas. E o cenário vai piorar muito quando o Planalto começar a mexer em direitos históricos dos trabalhadores, como a previdência, a desindexação do salário-mínio e das aposentadorias, a flexibilização da CLT e outras cositas.

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Os mascarados estão de volta às ruas. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

                                   O que hoje é um movimento de estudantes e militantes políticos, amanhã será engrossado por sindicatos e categorias sociais inteiras. Inclusive o funcionalismo público. A barra vai pesar. E Temer ainda tem pela frente outras ameaças: um pedido de impeachment contra ele na Câmara dos Deputados; um processo de cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, referente a irregularidades no financiamento da campanha presidencial de 2014; e as decisões do STF acerca do julgamento de Dilma no Senado.

                                   Do outro lado da Praça dos Três Poderes, começa a se firmar no STF uma pequena maioria no sentido de que a Suprem Corte não deve modificar as decisões do Senado. Vários ministros acreditam que o impeachment da ex-presidente é definitivo, até porque uma mudança laçaria o país em uma tremenda confusão. No entanto, os magistrados também estão firmando posição no sentido de que não podem cassar os direitos políticos de Dilma, uma vez que o julgamento do Senado é soberano, como diz a Constituição. Além do mais, há um problema grave: foi o STF que determinou o rito do impeachment nos mesmos moldes do ocorrido contra Fernando Collor, em 1992.

                                   Como a história registra, Collor renunciou na manhã do julgamento. Com o gesto extremo, interrompeu o impeachment. Deveria ter interrompido todo o processo. Mas os senadores resolveram que iriam votar a cassação dos direitos políticos dele, fatiando o ato jurídico. E o STF referendou aquela decisão. Como mudar agora? Esta poderá ser a derrota mais dolorida para Michel Temer. E ainda tem o problema da cassação de Cunha, antigo aliado, que a partir de segunda-feira começa a subir no cadafalso.

                                   Que viver, vera!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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