Eduardo Cunha já era! Por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções, o deputado foi defenestrado da vida pública brasileira. Em Brasília não se fala outra coisa: Cunha vai tentar a delação premiada para escapar da prisão.

Cunha e Renan

Cunha e Renan, ambos acusados na Lava-Jato. Foto Agência Brasil.

 

                                   Nem os mais otimistas acreditavam que Eduardo Cunha pudesse sofrer uma derrota tão acachapante. O deputado foi abandoado até por seus apoiadores mais próximos. Ficou quase sozinho no plenário da Câmara, ouvindo discursos que o caracterizavam como um bandido da pior espécie. E ainda teve de aturar a narrativa do golpe contra Dilma, na qual é apontado como mentor. Um desastre completo. Juntamente com Cunha, afunda o setor ultraconservador na Câmara, que garantiu inúmeras vitorias ao parlamentar carioca – e que ele liderou.

                                   Abre-se o espaço político para os partidos de centro, como o PSDB de Aécio Neves, que anseiam por se afastar do fundamentalismo evangélico e da ultradireita. Cunha era o ícone da direita radical e militante. É dono de uma empresa chamada “Jesus.com”, ligada a segmentos religiosos. Com a votação na Câmara (esmagadores 450 a 10), mais do que o mandato de Cunha, revogou-se a carta branca dos amigos dele, que faziam gato e sapato na pauta da Câmara. Agora o “baixo clero” oportunista vai se realinhar com o governo Temer (a maior parte) e com o bloco que une PSDB, PPS e DEM. Aliás, os tucanos vão tentar uma proeza, com vistas a 2018: afastar-se dos radicais e ficar indiferente a Michel Temer. O tucanato prevê o fracasso da política econômica no curto prazo. E sabe que mexer nos direitos trabalhistas vai laçar centenas de milhares de pessoas às ruas.

                                   O projeto conservador não se encerra com o impeachment de Dilma e o “sacrifício” de Cunha. Falta prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. Note-se: a decisão da Câmara cria um dilema para o juiz Sérgio Moro. Ele vai mandar prender Eduardo Cunha, forçando a delação premiada que o Ministério Público pretende conseguir? Ou a Lava-Jato só serve para o pessoal ligado ao PT? Na noite da cassação, Cunha deu entrevista coletiva dizendo que vai escrever um livro de memórias e revelar os podres do Congresso e do governo.

                                   Mas, se quiser se livrar da cadeia, livro de memórias é pouco. Não tem força jurídica. Vai ter que dedurar seus antigos parceiros no crime.

                                  

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