Força-tarefa da Lava-Jato acusa Lula: “Foi o maestro de uma orquestra criminosa” que saqueou o país. Os acusadores fizeram um show para a grande mídia, um discurso eminentemente político para destruir o candidato do PT em 2018. Tudo transmitido ao vivo. Mas se recusaram a dizer se pediram a prisão do ex-presidente.

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Lula acusado de corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato. Foto de divulgação.

                                   Procuradores federais, agentes da Receita e da Polícia Federal deram entrevista coletiva nesta quarta-feira (14 set), em Curitiba, para formalizar acusações contra Lula e a mulher dele, Marisa Letícia: corrupção e lavagem de dinheiro no valor de 3,7 milhões de reais. Foi um longuíssimo discurso, fazendo crer que iriam revelar todas as mazelas políticas do país. Um palanque eletrônico, com projeção de imagens em um telão e transmissão ao vivo pelo rádio, na TV e na Internet. Parecia que o MPF estava criando um partido político para disputar eleições.

                                   Após mais de uma hora de explicações, a força-tarefa da Lava-Jato, retomando inclusive o processo do “mensalão”, já julgado pelo STF, afirmou que era tudo a mesma coisa, uma “propinocracia” instalada no país. Concluiu apresentando duas denúncias: Lula e Marisa Letícia receberam 3,7 milhões de reais da Construtora OAS, disfarçados na compra de um apartamento triplex no Guarujá (SP) e em pagamento de um depósito da Granero, onde foram abrigados os bens do ex-presidente ao deixar o Planalto. Mais nada. No entanto, nesse quesito, as provas parecem robustas. Aparentemente, Lula e Marisa Letícia esconderam a propriedade do tal apartamento do Guarujá. No proto, algo estranho aconteceu.

                                   Mas é surpreendente que o MPF tenha se recusado a informar aos jornalistas se pediu ou não a prisão do casal. Um dos coordenadores da Lava-Jato disse que o Ministério Público fala sobre o que fez, mas não sobre o que fará. Que mistério é esse? Teme uma reação popular? No ambiente político, o que se espera é o pedido de prisão  contra Lula e a mulher.  

                                   Já escrevi aqui, mais de uma vez, que o projeto conservador que está no poder tem três metas: derrubar o governo de Dilma Rousseff, prender Lula e cassar o registro eleitoral do PT. A primeira fase foi cumprida. Agora, tenta-se a segunda. Cassar o PT vai ser um pouco mais difícil. O Planalto de Michel Temer quer evitar uma confrontação nas ruas. Tanto que adiou para o ano que vem a discussão da reforma trabalhista.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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