Lula volta ao centro do palco: vai encarar a Lava-Jato e pode ter prisão decretada esta semana pelo juiz Sérgio Moro.

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Sergio Moro decide se aceita acusações contra Lula.

 

                                   Dilma já foi esquecida. Até pelo PT. Tanto que o partido não quis erguer a última bandeira da presidente cassada: a convocação de novas eleições. Quem está de volta ao centro do picadeiro político brasileiro é Lula. Esta semana, todas as atenções estarão voltadas para o ex-presidente. Lula terá de encarar a denúncia feita contra ele pela força-tarefa da Lava-Jato. São duas acusações: teria recebido 3,7 milhões de reais desviados da Petrobras e seria o comandante da “organização criminosa que saqueou o país” nos últimos anos.

                                   Dizer que Lula chefia uma facção criminosa formada por políticos, partidos, empresários, operadores financeiros e empreiteiros parece ser apenas um desejo dos seus acusadores, que admitem não ter provas. Mas em relação aos tais 3,7 milhões a coisa é mais complicada: este seria o valor do triplex no Guarujá, da reforma no imóvel e das despesas pagas à Granero por ter armazenado os bens pessoais de Lula ao deixar o Planalto. Aí aparecem notas fiscais, depoimentos de delatores, o envolvimento de pelo menos duas grades empreiteiras e até fotos do casal Lula da Silva no apartamento de cobertura.

                                   O juiz Sérgio Moro, que comanda os inquéritos da Lava-Jato, já recebeu a denúncia. Ainda esta semana vai decidir se aceita ou não as acusações. Pode, inclusive, decretar a prisão de Lula. Curioso: os procuradores e agentes federais da força-tarefa se recusaram a dizer se fizeram ou não o pedido de prisão a Moro. Passaram duas horas ao vivo na TV, na última quarta-feira, verdadeira fogueira de vaidades, e não deram a notícia mais importante: Lula vai ser preso ou não? Talvez a coletiva espalhafatosa tenha sido um teste para medir a reação a uma provável prisão de Lula.

                                   Seja como for, parece certo que Sérgio Moro vai aceitar a parte das acusações que trata dos 3,7 milhões. Sobre a história de Lula comandar o mundo do crime, Moro, que não é bobo, deve ficar ao largo dessas fantasias. Muitos observadores da cena política acreditam que o juiz vai decretar prisão temporária de Lula.                                   

                                  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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