Imagem emblemática: Eduardo Cunha revistado pela polícia no Santos Dumont. O detector de metais apitou e a PF fez uma revista de 5 minutos no ex-presidente da Câmara. A foto faz sucesso nas redes sociais. Depois, populares tentaram bater em Cunha.

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Eduardo Cunha revistado pela polícia: sucesso na Internet. Reprodução do Twitter.

                                    A foto de Eduardo Cunha sendo revistado pela polícia no aeroporto Santos Dumont, centro do Rio, caiu na Web na manhã da última segunda-feira (17 out). Como se diz modernamente, “viralizou”. É um grande sucesso de audiência e motiva intermináveis galhofas. O todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na sucessão presidencial, cassado, levou um dura como qualquer cidadão comum. Deve ter sido só de sacanagem, uma pequena vingança dos federais contra aquele que se achava o político mais forte do país.

                                   Após a revista, ao passar pelo salão do aeroporto, foi hostilizado por passageiros. “Ladrão, ladrão” – era o grito da multidão que o acompanhou. Jogaram coisas sobre ele. Uma senhora chegou a tentar agredir fisicamente o ex-deputado. Cunha estava só, arrastava duas malas e não se via nenhum dos incontáveis seguranças que o protegiam na Câmara. Agora ele é alvo. Foi “sacrificado” para que o projeto conservador pudesse se implantar no país. A cassação de Cunha, abandonado por seus pares, foi uma forma de referendar Michel  Temer. Derruba-se Dilma, derruba-se Cunha, vai-se derrubar Renan Calheiros. É um método para desmentir o clamor de que houve um golpe parlamentar no Brasil e de que Temer é “legítimo”.

                                   Cunha é réu na Lava-Jato, acusado de ter recebido 5 milhões de dólares em propinas do “petrolão”. A mulher dele, a jornalista Cláudia Cruz, é acusada de cumplicidade: teria gasto 1 milhão de dólares em cartões de crédito de uma conta suíça no nome dela. Ambos estão nas mãos do juiz Sérgio Moro, o xerife da Lava-Jato. A condenação do casal é tida como certa. Aliás, Moro intimou  a jornalista a prestar depoimento, em Curitiba, no dia 16 de novembro. Observadores acreditam que Cunha vai pegar uns 10 anos de cadeia, iniciando em regime fechado. Cláudia, ao contrário, deve ser condenada à prisão aberta. Ou seja: menos de 4 anos de condenação. Quando mandou devolver o passaporte de Cláudia Cordeiro Cruz, o juiz Sérgio Moro já antecipou a sentença: “ela tem papel secundário nesse crime”.

                                   Se eu for acusado de algum crime, quero um juiz tão seletivo quanto Moro. E o resto é bobagem.         

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