Programa de repatriação de divisas no exterior vira a maior operação de lavagem de dinheiro na história do país: 170 bilhões de reais. O governo papou 50,9 bilhões. E para onde vai a grana?

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                                   Um número aproximado de 25 mil brasileiros e mais de 100 empresas aceitaram trazer de volta ao país o dinheiro que mantinham em contas secretas no exterior. Até ontem (31 out), quando se encerrou o prazo do programa federal de repatriação de divisas, 170 bilhões de reais deram entrada no Brasil. O governo papou 50,9 bilhões de reais. Tal quantidade de dinheiro em contas secretas é fruto de três crimes, um dos quais punível com prisão: sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Portanto, era dinheiro ilegal e não declarado ao fisco.

                                   A Receita e o Banco Central tomaram 30% de toda essa grana, na forma de impostos e multas. E os crimes foram anistiados. Os donos da dinheirama agora podem fazer o que acharem melhor com tamanha fortuna, que sobrou das garras fiscais. Foi uma gigantesca operação de lavagem de dinheiro, tornada oficial pelo Congresso e pelo governo. É, certamente, uma das maiores da história do capitalismo no mundo. Pode-se até dizer: foi bom para o país, em tempos de crise, porque o dinheiro estava fora do alcance das leis brasileiras. Verdade? Mentira!

                                   O Brasil assinou um tratado com outros 13 países, entre os quais a Suíça, que permite ter acesso às contas de brasileiros no exterior, para investigar aqueles três crimes que já descrevi. O acordo entra em vigor em janeiro de 2018. O governo brasileiro saberia imediatamente quem tem dinheiro ilegal no exterior. Poderia multar e processar criminalmente os donos da grana. Precisava esperar pouco mais de um ano. Mas o que as nossas autoridades resolveram? Anistiar os criminosos e tomar 50,9 bilhões de reais para os cofres públicos. Poderiam tomar a grana toda em 14 meses, por meio de bloqueio e sequestro dos bens, termos previstos no acordo internacional. Mas, aqui no Patropi, a lei serve para os pequenos e os fracos. Curioso: a grande mídia não destacou esses pontos. Por que? Talvez porque também tenha dinheiro ilegal no exterior. As elites se protegem mutuamente.

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                                   Ainda hoje (1 nov), o presidente do Senado, Renan Calheiros, investigado em 9 inquéritos na Lava-Jato, disse à imprensa que vai apresentar projeto para reabrir o prazo de repatriação de divisas no ano de 2017. A Receita e a Fazenda acreditam que ainda podem faturar outros 30 bilhões de reais. Mas alguns detalhes, onde mora o Diabo, não esclarecem: para onde vai o montante arrecadado pelo governo? Para saúde, educação, habitação e segurança? Não! Vai para tapar o rombo nas contas públicas da União, de estados e municípios. Um rombo que é fruto de incompetência, apadrinhamento político, cabide de empregos e corrupção. E para pagar juros bancários.

                                   E o país que se dane!                                      

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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  1. Cacau disse:

    para Vigo me voy

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