Eduardo Cunha vai se oferecer à delação premiada na Lava-Jato: ele conhece os porões da política. Preso em Curitiba, apresenta defesa prévia intimando 18 testemunhas: Lula, Dilma, Temer, Delcídio e mais 14 figuras destacadas de Brasília.

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Cunha levado pela PF para Curitiba. Foto Agência Brasil.

                                    O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que teve o mandado cassado por seus pares, já na sessão que encerrou a vida política dele, avisava: havia no plenário 160 deputados respondendo a ações penais. Agora, preso por ordem do juiz Sérgio Moro, apresenta defesa prévia. Nega as acusações e convoca, como testemunhas da defesa, 18 figuras públicas de destaque. Entre elas: Lula, Dilma, Delcídio do Amaral e – pasmem – o próprio presidente Michel Temer, além de atuais ministros. A tática dos advogados de Cunha pode ser a de confundir o processo. Mas, na verdade, contém uma grave ameaça. O ex-deputado, que já movimentou 25 milhões de reais na Bolsa de Valores, nos últimos anos, vai se oferecer à delação premiada.

                                   Isto é tudo que Temer e o Congresso não querem que aconteça. Uma provável delação de Cunha, se aceita pelo Ministério Público Federal, até agora seletivo contra o PT, abala os alicerces da República. Eduardo Cunha é conhecido por ser um articulador político nas sombras. Financiou campanhas, obteve dinheiro para o PMDB e outros partidos aliados, arregimentou uma massa de votos conservadores na Câmara Federal, aprovou o pedido de impeachment de Dilma e colaborou com a destruição eleitoral do PT, como ficou comprovado em outubro. Sabe de biografias e contas bancárias. Ele conhece o labirinto. Conhece muito de tudo e de todos. É tão perigoso, que o próprio MPF o teme. É uma bomba de nêutrons sobre o Planalto.

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Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba. Foto DPF/CTA.

                                   Familiares, amigos e advogados recomendam a delação. Vai pegar cadeia por um bom tempo, mas pode reduzir as penas da mulher e de uma das filhas. Estas receberiam sentenças leves, evitando o amargor das grades. A este cenário desastroso se somam as delações de Marcelo Odebrecht e mais 50 executivos da maior construtora do país. Atingem diretamente o presidente Temer e – pela primeira vez – o tucanato. José Serra foi acusado de receber propina milionária em uma conta na Suíça. É um salve-se quem puder.

                                   Pelo acordo de Marcelo Odebrecht com o Ministério Público, será condenado a 10 anos de prisão, dos quais cumpriria, em regime fechado, dois anos e meio. Ou seja: seria passado à prisão aberta em dezembro de 2017. Coisa inédita no país. É justamente o exemplo de Marcelo Odebrecht que baliza a delação de Eduardo Cunha.

                                   Resta saber: a Lava-Jato é mesmo uma ação séria do judiciário brasileiro?  

                                    

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