O futuro incerto da Lava-Jato: políticos e funcionários suspeitos de corrupção e caixa 2 se organizam para frear a operação. Chefe da Receita avisa: “o navio pode afundar”.

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O deputado Lorenzoni. Imagem do portal DSEM.ORG.

 

                                   Centenas de parlamentares, na Câmara Federal e no Senado, estão mobilizados para pôr freios à Operação Lava-Jato. É claro: são suspeitos de corrupção e de receber doações empresariais no caixa 2 das campanhas políticas. Muitos já foram formalmente acusados. A eles se soma uma legião de funcionários públicos de alto escalão, a ponta passiva das propinas. Todo esse movimento, que se desenrola em Brasília, inclusive durante o feriado da República (quanta ironia), pretende limitar ou impedir a ação da força-tarefa que conduz as investigações. Enquanto era só contra o PT, tudo bem. Mas agora…

                                   A primeira tentativa foi quase clandestina: sessão noturna da Câmara tentou votar uma anistia para o caixa 2. Não deu certo. A segunda tentativa, comandada pelo presidente da casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi apressar a discussão das “10 medidas contra a corrupção” ( projeto de lei 5864), para que fosse possível apresentar emendas que também anistiariam caixa 2 de campanhas, a “mãe de toda corrupção”. Agora, durante o feriadão, as articulações planaltinas foram no sentido de incluir no relatório do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) cláusulas para punir juízes e procuradores que “abusem de suas atribuições”. Ou seja: aqueles que supostamente perseguem os políticos.

                                   Até as crianças do primário entendem o que está acontecendo. Por trás de um discurso moralista se escondem tramoias para deter a Lava-Jato. Na edição online do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira (15 nov), o chefe do setor de inteligência da Receita Federal de Curitiba, o procurador Roberto Leonel, divulgou carta aos demais procuradores pedindo que lutem para manter o texto original do projeto de lei 5864. Se for modificado – ele advertiu -, “o navio pode afundar”. Pode mesmo: o relatório de Onyx Lorenzoni acrescentou sete novos artigos ao projeto.

                                   Uma trama terrível no próprio aniversário da Proclamação da República. As “10 medidas contra a corrupção” não são uma peça jurídica perfeita. O MPF pretende até mesmo alterar dispositivos constitucionais, o que não pode ser feito por decreto-lei. Mas a ação dos parlamentares suspeitos é claramente uma forma de se proteger, aumentando a confusão em Brasília. E viva a República!

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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