Enquanto a Lava-Jato desaba sobre o PMDB, cai mais um ministro de Temer. E cai atirando. Marcelo Calero acusa o principal articulador político do governo de querer levar vantagem.

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Marcelo Calero, ex-ministro da cultura de Michel Temer.

 

                                   Quando assumiu a presidência, Michel Temer nos fez a gentileza de extinguir o Ministério da Cultura. Pasmem: em um Brasil tão carente de educação e cultura, resolveu acabar com uma das mais importantes atividades do país. Motivo: redução de custos. Depois voltou atrás. Porque houve uma grita geral. Nomeou como ministro da pasta Marcelo Calero, um jovem de 33 anos, advogado e diplomata, que havia sido secretário da cultura no Rio. Calero ficou no cargo pouco mais de cinco meses. Ao que tudo indica, a principal tarefa dele foi resistir às investidas de outro ministro de Temer, que pretendia aprovar um empreendimento imobiliário em Salvador, em área de patrimônio histórico.

                                   Esta é a explicação para a queda de mais um ministro do novo governo, o quarto, como fica bem claro na matéria publicada na edição online da Folha de S. Paulo, assinada pelos repórteres Natuza Nery e Paulo Gama. O ministro teria pedido as contas, na versão da Folha, porque não aguentava mais as pressões de Gedel Vieira Lima, principal assessor de Temer, ministro da articulação política, que o abordou cinco vezes tentando aprovar um grande empreendimento imobiliário. Para ficar mais claro, reproduzo trecho da reportagem do diário paulista, que traz palavras entre aspas do ex-ministro:

                                   “Eu fiquei surpreso, porque me pareceu – não sei se estou sendo muito ingênuo – tão absurdo o ministro me ligar determinando que eu liberasse um empreendimento no qual ele tinha um imóvel. Você fica atônito. Veio à minha cabeça: gente, esse cara é louco, pode estar grampeado e vai me envolver em rolo. O ministro Gedel tem uma forma de contato muito truculenta e assertiva, para dizer o mínimo”.

                                   E tem mais, segundo a Folha, ainda nas palavras do ex-ministro:

                                   “Fiquei extremamente preocupado de eu estar sendo gravado e, no final das contas, eu podia estar enrolado com interesse imobiliário de Gedel Vieira Lima na Bahia. Pelo amor de Deus! Fiquei preocupado de estar diante de uma prevaricação minha, podia estar diante de uma advocacia administrativa, para dizer o mínimo”.

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Gedel e senhora, em foto de coluna social baiana.

                                   O ex-ministro da cultura pátria também disse aos jornalistas que Gedel ameaçou “pedir a cabeça” da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) ao próprio presidente Michel Temer, para solucionar a aprovação do empreendimento imobiliário em área preservada. Pode isso? Pode. Nessa terra de meu Deus, pode tudo. O próprio Marcelo Calero é apontado como organizador de um “evento” cultural que iria custar meio milhão de reais à Viúva. Ou seja: aos cofres públicos.

E ainda dizem que toda a culpa era da Dilma e do PT. Para o posto de Marcelo Calero foi nomeado Roberto Freire (PPS-PE), aliado de Aécio Neves.

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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