Não vai ficar ninguém de pé: 78 executivos da Odebrecht assinam delação premiada e devem denunciar prefeitos, governadores, ministros, deputados, senadores e funcionários de alto escalão. A delação deve atingir ao menos 300 nomes.

marcelo-odebrecht-01

Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba. Foto DPF/CTA.

                                    Nuvens negras e ventos furiosos sacodem Brasília: delação da maior construtora do país atinge o coração da política brasileira. Além de Marcelo e Emílio Odebrecht, donos da empreiteira, outros 76 executivos do grupo   empresarial estão assinando acordos de deleção premiada com a Procuradoria Geral da República. Está para ser aberta a caixa preta da corrupção. A Odebrecht tinha até um departamento clandestino para administrar propinas e a compra de políticos e governantes, chamado singelamente de “Departamento de Operações Estruturadas”. Por tais operações passou o caixa 2 de campanhas em todo o país – e em todos os níveis, dos municípios aos poderes da República.

                                   A bomba explode justamente no momento em que o governo Temer e o Congresso se articulam para frear a Lava-Jato, de longe o maior (talvez único) inimigo da onda conservadora que varre o país. Estima-se que 300 políticos e funcionários públicos serão afetados pela delação, inclusive no Palácio do Planalto. Observadores da cena política têm alertado que “grandes incêndios são aguardados em Minas Gerais e São Paulo”. Membros do Ministério Público Federal, consultados pelos jornalistas, informam apenas que “a delação da Odebrecht é democrática”. Querem dizer: atinge todos os partidos e todos os postos. O que antes detonava apenas o PT, agora bate às portas do PSDB, do PMDB, do DEM e de toda base aliada de Michel Temer, incluindo talvez alguns dos ministros atuais.

impeachment 64

Há quem diga que Aécio e Temer estão na delação. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

                                    Consta que a devassa também vai pegar os partidos que hoje fazem oposição, atingindo novamente (e fortemente) o que sobrou do PT. Pode chegar ao PDT, à Rede e ao PCdoB. Tudo indica que só o PSOL vai escapar. Há ver! De toda maneira, apesar da gravidade do que vem por aí, coisa capaz de desestabilizar e até de derrubar o governo, o leitor não espere soluções rápidas. Um inquérito desse tamanho vai depender do Supremo Tribunal, porque a maioria dos acusados terá foro privilegiado. Deve levar meses. Muitos meses.

                                   Enquanto isso, o governo Temer vai tentar apressar o Congresso na aprovação das chamadas medidas de ajuste fiscal. Todas têm que ser aprovadas este ano, para valer em 2017. E nossos valorosos parlamentares continuarão a colocar barreiras à frente da Lava-Jato. Mas o judiciário mostra os dentes para a classe política. Ninguém se surpreenda se houver outras prisões espetaculosas até 15 de dezembro, quando começa o recesso de fim de ano dos tribunais. Há grandes alvos à disposição, como o próprio Lula.

                                   Alguns otimistas estão dizendo que a política no Brasil poderá ser dividida em duas fases: antes e depois da delação da Odebrecht. Os pessimistas acham que o caos   vai aumentar e que a crise econômica se estenderá até 2020. Informação recente do Ministério da Fazenda dá o parâmetro: nenhuma recuperação para 2016 – e o PIB vai afundar ao menos 3,40 por cento.

                                   Quem viver, verá!

  

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
Esse post foi publicado em Politica e sociedade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s