Manifestantes vão às ruas contra a corrupção e em apoio à Lava-Jato. Convocados pela “nova direita”, os protestos pedem a cabeça de Renan Calheiros e poupam Michel Temer.  

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Praia de Copacabana. Foto da Agência Brasil.

                                    Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas neste domingo (4 dez), em manifestações contra a corrupção e em apoio à Lava-Jato. Com bandeiras do Brasil e camisas amarelas, as concentrações estiveram presentes em 18 estados. Não houve confrontos. Na Avenida Paulista, quartel-general da oposição a Dilma e ao PT, a Polícia Militar foi aplaudida. Grupos que apoiam a intervenção militar no país estiveram presentes no Rio e em São Paulo. Os protestos foram convocados pelo que agora se chama de “nova direita”, incluindo os partidos que apoiam o governo Temer, como o PSDB, DEM, PPS e o próprio PMDB, além de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL).

                                    Em todos os lugares, de modo aparentemente coordenado, os manifestantes pediram a cabeça de Renan Calheiros, presidente do Senado, e pouparam Michel Temer. Cartazes de “Fora Temer” não apareceram em nenhum dos protestos. No entanto, os deputados que defenderam a destruição das “10 medidas contra a corrupção” não foram poupados, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os Bolsonaros e Ronaldo Caiado foram vistos nos protestos, que contaram até com a atriz Regina Duarte, que foi à Paulista com camisa da seleção. Sérgio Moro e os procuradores da Lava-Jato receberam aprovação total dos manifestantes.

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Apoio a Moro e à Lava-Jato. Foto da Agência Brasil.

                                   Curioso: os institutos de pesquisa, como o Datafolha, ao contrário do que acontecia durante a campanha do impeachment, não fizeram estimativas das multidões. Até 20h07, quando escrevo, não encontrei os números do protesto. Vendo pelos canais de notícias, as manifestações, apesar de expressivas, foram bem menores do que as anteriores. Mas deixam bem claro o crescimento e a articulação nacional da ‘nova direita”.

                                   O Planalto recebeu com alívio o resultado do movimento, ao contrário da quebradeira que se viu em frente ao Congresso na semana passada. Aquilo assustou o governo. Mas os colaboradores mais próximos de Temer estão preocupados com a reação de Renan Calheiros, o alvo dos protestos. Eles imaginam que o presidente do Senado vai adiar para o ano que vem a votação das medidas econômicas. Isto é muito perigoso para os planos do Planalto, porque legislação fiscal não se aplica ao ano em curso. A reforma da previdência, por exemplo, só entraria em vigor em 2018, ano de eleições presidenciais, quando todo o cenário político sofre uma paralisia.      

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