Corra, Renan, corra! Ministro do STF afasta presidente do Senado um dia após manifestações de rua pedirem a cabeça do senador. Parece que foi tudo combinado.

impeachment 55

Sarney, Renan, Jucá e Cunha na cadeia? Pode ser, em troca dos ajustes econômicos.

 

                                   Não há colher de chá na luta política. Um dia após as manifestações de rua convocadas pela “nova direita”, que pediam a cabeça de Renan Calheiros, o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu aos reclamos da multidão. Defenestrou o político alagoano da presidência do Senado. Motivo: réu em ação penal não pode estar na linha de sucessão da presidência do país, nem presidir poderes da República. Fez isso atendendo a um pedido da Rede, partido de Marina Silva. E decidiu liminarmente, “para garantir a ordem jurídica” e dar uma satisfação à opinião pública. Soco no estômago de Renan, que se recusou a receber a notificação da Suprema Corte.  

                                   Mas Renan não tem alternativa. Se se recusar a obedecer à ordem do ministro Marco Aurélio, será preso imediatamente. É mais um ”sacrifício” de aliados do novo governo, que já perdeu seis ministros em apenas seis meses, envolvidos com escândalos. Renan é acusado de receber propina de uma empreiteira para pagar pensão alimentícia de um filho tido fora do casamento. Já era vergonhoso, se não se tornasse público. Foi declarado réu de ação penal pelo STF na semana passada, em votação plenária, por 8 votos a 2. Acusação concreta: corrupção deslavada. Renan responde a outros 11 inquéritos criminais, dos quais 8 no âmbito a Lava-Jato. Nem sabemos com certeza quais são todas as acusações.

                                   Como diria Nelson Rodrigues, a vida como ela é. Em tempos de aperto econômico, com queda na produção e um desemprego assustador, exigir sacrifícios do trabalhador requer uma moeda de troca. Derruba-se o governo Dilma, mas se oferece, em troca, a prisão de Eduardo Cunha. Para justificar (e referendar) o impeachment e o espetáculo dantesco que vimos da Câmara dos Deputados. Agora, em troca do chamado ajuste fiscal, que pretende anular conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros, dá-se os anéis para não perder os dedos. E não vai parar por aí. Renan Calheiros ainda será preso, como o seu correlato Eduardo Cunha. Não faltarão Romeros Jucás nesse processo. A estratégia é oferecer cenourinhas ao povo, em troca de estabilidade política. O Planalto teme a reação no asfalto das grandes cidades. Os militares estão em silêncio.

                                   Com o afastamento de Renan, assume o senador Jorge Viana, do PT. É um moderado. Mas a primeira consequência será a retirada de pauta do projeto de lei do abuso de poder, que pretende frear a Lava-Jato, previsto para votação nesta terça-feira. Medida para acalmar as ruas.  A segunda consequência pode ser o adiamento da votação, em segundo turno, da PEC dos gastos públicos, tida como fundamental para Temer. Fica para o ano que vem. E a reforma da previdência deve ficar para as calendas. A posição de Temer é curiosa: não pode se opor à Lava-Jato, como gostaria, para proteger a tal da governabilidade, e não tem poderes sobre o judiciário. Qualquer dia, ele mesmo pode ser acusado.

                                   Para solucionar a crise, na minha modesta opinião, só há uma saída: convocar novas eleições. Precisamos trocar os protagonismos da crise. Com essa gente que aí está, nada se resolve.       

   

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