“Centrão” reage contra a indicação de mais um ministro tucano e atropela decisão de Temer. Indeciso, presidente adia nomeação de Imbassahy.

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Renan, Temer e Rodrigo Maia: explicar o inexplicável. Foto Agência Brasil.

                                   “Centrão”, “baixo claro” e “banda podre” são algumas expressões que definem o conjunto de 12 partidos conservadores na base parlamentar de Michel Temer. E eles têm força política, como ficou claro na derrubada de Dilma Rousseff. Agora dão outra demonstração de agressividade, reagindo contra a indicação de Antônio Imbassahy (PSDB-BA) para a Secretaria de Governo, uma das posições mais importantes no Planalto. O “centrão” quer o cargo para ele mesmo. Como Temer precisa dos votos do grupo para aprovar a PEC dos gastos públicos, resolver dar um passo atrás e adiou a nomeação para algum momento da próxima semana.

                                   Os tucanos estão indignados. E comentam nos bastidores que Michel Temer é hesitante e demora demais para tomar decisões. Um presidente fraco empresta força ao “centrão”, que tem mais de uma centena de parlamentares investigados por corrupção e crimes eleitorais. Mesmo sabendo que o governo Temer é apenas um tampão entre Dilma e o próximo presidente eleito, o tucanato esperava atitudes mais afirmativas de Temer. Uma fonte no PSDB me disse: “É um mandato OB”, referindo-se ao absorvente feminino. No entanto, Temer, com baixíssima popularidade, não pode governar apenas com o “centrão”. Precisa dos tucanos para dar alguma seriedade ao governo.

                                   A PEC dos gastos públicos, que congela os investimentos estatais por 20 anos, é o ponto nevrálgico do governo provisório. E está na contramão das modernas teses econômicas. Em tempos de crises agudas, o investimento público é fundamental para reativar a produção e abrir o crédito. O capitalismo não vive sem isso. Na crise de 2008/09, Obama investiu mais de 2 trilhão de dólares para pôr a economia americana em movimento. Deu certo. Aqui, vamos fazer o contrário. Ainda hoje (9 dez), o secretário especial da ONU para direitos humanos, Philip Aston, declarou que a aprovação das medidas vai destruir os esforços feitos pelos governos do PT para reduzir a pobreza em nosso país. Segundo ele, é uma ameaça às novas gerações (ver Portal G1).

                                   O governo diz que não pode gastar mais do que arrecada. Pretende reduzir o déficit fiscal cortando na saúde, educação e na segurança pública. Ou seja: atingindo os segmentos mais carentes da população. O déficit para 2016 está estimado para 170 bilhões de reais. Em outubro, o prejuízo já estava perto de 90 bilhões. Só que a redução das despesas não precisaria ser feita apenas nas costas do trabalhador. A Receita Federal informa que a sonegação fiscal atinge ao menos 200 bilhões de reais por ano. Os grandes bancos devem impostos na casa de muitos bilhões de reais. O Ministério Público informa que a corrupção, em todos os níveis, soma outros 200 bilhões de reais. Dava para resolver o problema todo e ainda sobrar uma grana para investir no interesse público.

                                   Você, leitor, acha que Michel Temer e Henrique Meirelles não sabem disso? Sabem. Pode apostar.     

                                    

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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Uma resposta para “Centrão” reage contra a indicação de mais um ministro tucano e atropela decisão de Temer. Indeciso, presidente adia nomeação de Imbassahy.

  1. Eli Gomes disse:

    Conheci Gadelha de perto no inicio dos anos 70. Nunca gostei dele. Era um homem rude, grosseiro e violento. Ainda bem que esta morto e enterrado!

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