Mais um assessor direto de Michel Temer é acusado de corrupção. Desta vez, o Ministro da Agricultura, que teve contas bancárias e bens bloqueados pela justiça. Em apenas oito meses do novo governo, sete dos mais próximos colaboradores de Temer foram defenestrados. Todos envolvido em algum tipo de escândalo, sem contar o caso atual.

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O Ministro da Agricultura. Imagem Agência Brasil.

 

                                   O juiz Luís Aparecido Bertolussi Jr, que cuida de ações de improbidade administrativa em Cuiabá, a capital de Mato Grosso, foi o autor da decisão. Segundo o magistrado, o ex-governador e atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do PP, partido que integra a base aliada de Temer, teria participado de uma fraude para indicar um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), correligionário político dele. Trata-se do ex-deputado Sérgio Ricardo de Almeida, cuja entrada no TCE teria sido obtida por meio da “compra” da aposentadoria de outro conselheiro, Alencar Soares Filho, que teria recebido 4 milhões de reais para deixar o cargo prematuramente.

                                   É um escândalo atrás do outro, desnudando o apodrecimento das instituições e a fragilidade do governo provisório de Temer. Não custa informar: esse caso já tinha sido investigado criminalmente pela Polícia Federa (Operação Ararath), mas foi arquivado por falta de provas pela Suprema Corte, em decisão do ministro Dias Toffoli. Agora, com a sentença do juiz de improbidades, outras 8 pessoas tiveram bens bloqueados, inclusive o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Groso. A respeito deste personagem, diz a Folha de S. Paulo de hoje (edição online): “Outro réu afetado foi o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Riva (PSD), que ficou conhecido como o ‘maior ficha-suja do país’ por responder a mais de 100 processos. Uma das ações chegou a colocá-lo na prisão por quatro meses”.

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Carmem Lúcia, do STF: fiel da balança? Imagem TV Justiça.

                                   Vejam, caros leitores, a que ponto chegamos: se as investigações continuarem, quem vai restar para dirigir o país? Notem: a caixa-preta da Odebrecht ainda não foi aberta. Parece que acusações atingem o próprio Michel Temer. E o STF está prestes a declarar (já tem maioria) que réu em ação penal não pode assumir a Presidência. O que será de nós, pobres brasileirinhos? Em Brasília, há uma bolsa de apostas: cai o Ministro da Agricultura; Temer será impedido, ou pelo TSE ou pela Odebrecht, que também atingiria Rodrigo Maia; Renan Calheiros já era; e Carmem Lúcia, com apoio das Forças Armadas, será a segunda mulher a presidir o país. Parece roteiro de ficção.

                                   Quem viver, verá!     

          

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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