Guerra de facções se espalha. Rebelião de presos em Natal termina após 14 horas de conflito. Foram encontrados 27 mortos, mas o governo do RN diz que o massacre pode ter sido muito pior. No Paraná, dois presos foram assassinados e 23 fugiram.

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Tropa de choque controla rebelião em Natal. Imagem PM/RN.

Aumenta o descontrole sobre o sistema prisional. A guerra entre facções ligadas ao narcotráfico se espalha pelo país, como cheguei a prever aqui, alguns posts atrás. A rebelião na penitenciária de Alcaçuz, em Natal (RN), a maior da estado, foi controlada pelas forças de segurança nas primeiras horas deste domingo (15 jan). Até agora foram encontrados 10 corpos de detentos assassinados por rivais, mas o governo diz que o número pode ser muito maior. A revista nas galerias ainda não acabou.

Houve luta entre dois grupos armados nas galerias 4 e 5 do presídio, onde estavam integrantes do PCC e de uma organização local conhecida como Sindicato do Crime, associada ao Comando Vermelho (CV). Também ocorreram incidentes no interior do Paraná, com a morte de 2 detentos e 23 fugas. Um bando explodiu o muro do presídio pelo lado de fora. Na cadeia de Piraquara estão concentrados detentos do PCC.

Nos primeiros 15 dias do ano, a soma é de 133 homicídios causados pela luta entre as organizações criminosas. E não há indicadores de que vá parar. Além de demonstrar a falência do sistema penal brasileiro, os massacres encurralam o governo federal, que não sabe muito bem o que fazer para enfrentar a situação.

O Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, diz que vai liberar verbas para  ampliar o sistema. Se não conseguimos construir escolas e hospitais, vamos erguer presídios? Isso é típico de momentos de crise, quando se diz qualquer coisa para escapar da pressão. A solução do problema está no judiciário – e não em cimento e tijolos. Temos um déficit de mais ou menos 250 mil vagas, mas os presídios estão atulhados de presos provisórios (sem julgamento) e de gente que já cumpriu a pena ou poderia ter progredido de regime. Se isso fosse resolvido em prazo razoável (que tal 1 ano?), seria muito mais proveitoso do que construir cadeias, o que demora de 5 a 6 anos. Além do mais, tem o superfaturamento, o interesse político local, a corrupção.

Enquanto não se decidem as solução, o sistema carcerário continua superlotado, deseducado e violento. Ou seja: a matança pode continuar.

Agora à noite, mais 17 corpos foram encontrados em Natal. No total, 27.

 

 

 

 

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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2 respostas para Guerra de facções se espalha. Rebelião de presos em Natal termina após 14 horas de conflito. Foram encontrados 27 mortos, mas o governo do RN diz que o massacre pode ter sido muito pior. No Paraná, dois presos foram assassinados e 23 fugiram.

  1. Alex Malantrucco disse:

    Caro Jornalista Carlos Amorim
    Estamos aqui novamente para cumprimentar V.Sa. pois sabemos que poucos conhecem o crime organizado como o senhor.
    A Obra “Irmandade do Crime” que foi escrita e com muita propriedade mostra a união dos Irmãos do crime, com a clareza do sol do meio dia é um marco na história do jornalismo.
    Seria interessante se V.Sa. pudesse continuar esse estudo agora mostrando o pq. da desunião, bem como a máfia italiana denominada Ndranghetta deu ao PCC o comércio internacional da droga, como demonstrou a operação monte polino e over sea, ambas da polícia federal. Será que o Brasil está a passos largos virando uma “Colombia” e o monopólio do tráfico internacional estará em breve em uma só mão, como aconteceu naquele país.
    Forte abraço
    Alex Malantrucco

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