7 dos 13 integrantes do Conselho Nacional de Política Penitenciária pedem demissão, inclusive o presidente do órgão. Em carta ao Ministro da Justiça, disseram que não aceitam os rumos que o governo quer dar ao sistema penal.

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Rebelião de presos no interior de São Paulo. Imagem da TV Globo.

                                    A crise dos presídios brasileiros chega aos altos escalões da burocracia governamental. O presidente e seis integrantes do conselho que propõe os rumos da política carcerária se demitiram nesta quarta-feira (25 jan). O órgão tem 18 conselheiros, dos quais 13 foram indicados pelas administrações petistas. Apenas 5 deles foram empossados por Michel Temer, o que apontava para uma maioria contra as atuais decisões relacionadas com o sistema penitenciário.

                                   A colunista Mônica Bergamo, da Folha online, esclarece que os conselheiros rebelados pretendiam aprovar uma “moção de repúdio” às medidas anunciadas por Alexandre de Moraes. Segundo a jornalista, que é muito bem informada, os demissionários, em carta aberta, criticam atitudes do ministro Moraes: “(…) é inaceitável a índole assumida pelo ministério”, disseram os conselheiros, “que parece afirmar que precisamos de mais armas do que pesquisas”. Além do mais, o ministro teria aberto 8 novas vagas no conselho, todas a serem ocupadas por partidários do governo Temer, de forma a reequilibrar a balança de poder na instituição. Ou seja: a crise só faz aumentar.

                                   Enquanto rola a disputa de bastidores, sobre uma pilha de mortos nos presídios, ficamos com a impressão de que Brasília é um mundo à parte. Parece não ter conexões com a vida real. Em Natal, onde ocorreram 10 dias de conflitos sangrentos, ao entardecer, a capital do Rio Grande do Norte se transforma em uma cidade fantasma. Não tem transporte público, as famílias se trancam em casa, ocorrem depredações e incêndios. Houve revolta de presos até em Bauru, interior de São Paulo, quando mais de cem detentos fugiram. Curioso: em Bauru não houve degolas, porque as cadeias paulistas só têm uma facção criminosa – o PCC.

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