Presidente do STF reage às pressões políticas e homologa a “delação do fim do mundo”. Carmem Lúcia deu valor jurídico às denúncias da Odebrecht, que atingem 300 políticos, ex-políticos e funcionários de alto escalão. As mais de 800 páginas de depoimentos já foram enviadas ao procurador Rodrigo Janot.

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Carmem Lúcia, do STF: “delação do fim do mundo” tem valor legal. Imagem TV Justiça.

                                A decisão da presidente da Suprema Corte, ministra Carmem Lúcia, no entanto, foi seguida por outra medida duvidosa: decretou segredo de justiça sobre o conteúdo da delação premiada de 77 executivos da maior empreiteira do país. A Odebrecht era uma espécie de poder paralelo, determinava o rumo de eleições e, por meio de corrupção, a aprovação de obas públicas que visavam o lucro mais descarado. A despeito do interesse do populacho em geral. Como o que aconteceu com o monumental estádio do Maracanã – hoje entregue a total abandono, a ponto de ali não ser possível disputar nem uma pelada.  

                                   Com tal sigilo, a ministra impede que a opinião pública tome conhecimento da bandalheira patrocinada pela Odebrecht. E os nomes citados, entre os quais estaria o próprio presidente Temer. A empreiteira comprou candidatos e governantes. Pintou e bordou. Mas os detalhes não serão conhecidos tão cedo pelos brasileirinhos, a não ser que ocorram os famosos vazamentos seletivos para a mídia. Quando os inquéritos envolviam os governos petistas, vazava-se um queijo suíço por vez. Mas agora… sabe-se lá o que vai acontecer. Na grande mídia, funciona assim: dá-se enorme destaque à denúncia, mas o resultado final das investigações vira uma notinha de pé de página. Foi assim no famoso inquérito do tríplex do Guarujá. O relatório final da Polícia Federal, que nem citava Lula e Marisa, não foi publicado.

                                   De toda forma, a atitude de Carmem Lúcia contém independência e uma certa coragem. Alguns de seus pares no STF pretendiam ganhar tempo até a indicação do substituto de Teori Zavaski, coisa que pode demorar meses. Talvez até o fim do governo Temer. Em homenagem ao colega morto em acidente aéreo, porém, resolveu respeitar os prazos que Zavaski havia definido. Ou seja: homologar a “delação do fim do mundo” até o último dia do recesso judiciário. Para isso, Teori trabalhava nas férias. Creio que a ministra trabalhou no sentido de manter de pé a Lava-Jato. Mas a decretação do segredo, apesar de prevista em lei, nos impede de conhecer melhor o tipo de gente que está instalada no poder.     

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