Polícia paulista tentou esconder extorsão contra Marcela Temer. O caso envolveu 33 delegados, investigadores e peritos da Delegacia Antissequestro. Parte das provas que condenou o hacker desapareceu.

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Marcela Temer. Imagem do portal DCM.

                                    A edição online da Folha de S. Paulo revela que a polícia e a justiça de São Paulo trabalharam juntas para encobrir a tentativa de extorsão praticada contra a atual  primeira-dama Marcela Temer. Ela teve o celular clonado por um hacker (Silvonei José de Jesus), que exigiu 300 mil reais para não divulgar uma conversa de Marcela com um de seus irmãos. Nessa conversa, a primeira-dama dizia que um dos assessores de Temer, publicitário ligado às campanhas do marido, era quem “cuidava dos assuntos de baixo nível”. O crime ocorreu em abril do ano passado, quando Michel Temer ainda era vice de Dilma Rousseff.

                                   Pela lógica dos fatos, um crime praticado contra a família do vice-presidente da República deveria ser investigado pela Polícia Federal. Não foi o que aconteceu. A Folha esclarece que havia por parte de Temer o receio de que o conteúdo da conversa telefônica vazasse para a imprensa. O jornal paulista explica que Temer procurou o então Secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes, para cuidar da investigação. Moraes montou uma força-tarefa com a equipe da Delegacia Antissequestro, uma das mais eficientes do estado.

                                   Vinte dias depois, o criminoso estava preso. Cinco meses depois, em outubro, já estava condenado a pena de prisão. Segundo a reportagem da Folha, a tal gravação sumiu: não está nem com a polícia, nem com a justiça. E Alexandre de Moraes virou Ministro da Justiça com a queda de Dilma. Pior: a pedido do Planalto, na semana passada, um juiz de Brasília proibiu a Folha e O Globo de publicarem detalhes do caso.

                                   Durma-se com um barulho desses!      

Sobre Carlos Amorim

Carlos Amorim é jornalista profissional há mais de 40 anos. Começou, aos 16, como repórter do jornal A Notícia, do Rio de Janeiro. Trabalhou 19 anos nas Organizações Globo, cinco no jornal O Globo (repórter especial e editor-assistente da editoria Grande Rio) e 14 na TV Globo. Esteve no SBT, na Rede Manchete e na TV Record. Foi fundador do Jornal da Manchete; chefe de redação do Globo Repórter; editor-chefe do Jornal da Globo; editor-chefe do Jornal Hoje; editor-chefe (eventual) do Jornal Nacional; diretor-geral do Fantástico; diretor de jornalismo da Globo no Rio e em São Paulo; diretor de eventos especiais da Central Globo de Jornalismo. Foi diretor da Divisão de Programas de Jornalismo da Rede Manchete. Diretor-executivo da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, onde implantou o canal de notícias Bandnews. Criador do Domingo Espetacular da TV Record. Atuou em vários programas de linha de show na Globo, Manchete e SBT. Dirigiu transmissões de carnaval e a edição do Rock In Rio 2 (1991). Escreveu, produziu e dirigiu 56 documentários de televisão. Ganhou o prêmio da crítica do Festival de Cine, Vídeo e Televisão de Roma, em 1984, com um especial sobre Elis Regina. Recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1994, na categoria Reportagem, com a melhor obra de não-ficção do ano: Comando Vermelho – A história secreta do crime organizado (Record – 1994). É autor de CV_PCC- A irmandade do crime (Record – 2004) e O Assalto ao Poder (Record – 2010). Recebeu o prêmio Simon Bolívar de Jornalismo, em 1997, na categoria Televisão (equipe), com um especial sobre a medicina em Cuba (reportagem de Florestan Fernandes Jr). Recebeu o prêmio Wladimir Herzog, na categoria Televisão (equipe), com uma série de reportagens de Fátima Souza para o Jornal da Band (“O medo na sala de aula”). Como diretor da linha de show do SBT, recebeu o prêmio Comunique-se, em 2006, com o programa Charme (Adriane Galisteu), considerado o melhor talk-show do ano. Em 2007, criou a série “9mm: São Paulo”, produzida pela Moonshot Pictures e pela FOX Latin America, vencedora do prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor série da televisão brasileira em 2008. Em 2008, foi diretor artístico e de programação das emissoras afiliadas do SBT no Paraná e diretor do SBT, em São Paulo, nos anos de 2005/06/07 (Charme, Casos de Família, Ratinho, Documenta Brasil etc). Vencedor do Prêmio Jabuti 2011, da Câmara Brasileira do Livro, com “Assalto ao Poder”. Autor de quatro obras pela Editora Record, foi finalista do certame literário três vezes. Atuou como professor convidado do curso “Negócios em Televisão e Cinema” da Fundação Getúlio Vargas no Rio e em São Paulo (2004 e 2005). A maior parte da carreira do jornalista Carlos Amorim esteve voltada para a TV, mas durante muitos anos, paralelamente, também foi ligado à mídia impressa. Foi repórter especial do Jornal da Tarde, articulista do Jornal do Brasil, colaborador da revista História Viva entre outras publicações. Atualmente, trabalha como autor, roteirista e diretor para projetos de cinema e televisão segmentada. Fonte: resumo curricular publicado pela PUC-RJ em “No Próximo Bloco – O jornalismo brasileiro na TV e na Internet”, livro organizado por Ernesto Rodrigues em 2006 e atualizado em 2008. As demais atualizações foram feitas pelo autor.
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